quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Yôga Sútra: I-12, I-13, I-14 e I-15

Depois de mais de um mês em jejum, trago para vocês mais uma página do nosso Samádhi Pádá, do Yôga Sútra de Patáñjali. Se você não sabe do que estou falando leia os posts do mês passado. Vou continuar o estudo proposto hoje com a introdução de dois importantes conceitos:



Em janeiro falamos sobre os vRittis, as dispersões que nos impedem de chegar à meta do Yôga. Aqui nesses quatro sútras é colocado o que se precisa para controla-las: abhyása e vairágya.

Desta vez não farei uma análise. Gostaria que cada leitor refletisse sobre o que está escrito acima e tirasse suas próprias conclusões. Ficarei feliz se houverem comentários para trocarmos.

Só digo que sem essa dupla, o trabalho do yôgin é virtualmente impossível.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Baingan Bharta (बैंगन भरता) - Berinjela indiana defumada

Esse antepasto picante foi uma das primeiras receitas que aprendi ao virar vegetariana. O fato das berinjelas serem defumadas dá um sabor especial à receita, que é muito saborosa e não é difícil, só um pouco trabalhosa.

Ingredientes:
  • 1 berinjela grande ou 2 médias
  • 2 a 3 tomates bem vermelhos mas firmes picados
  • 4 dentes de alho picados
  • 2 colheres (sopa) de óleo
  • 1 pimenta dedo-de-moça picada
  • 1 colher (chá) de páprica picante
  • 1 colher (café) de tumeric ou de coloral
  • 1 colher (café) de cominho em grãos
  • 1 colher (chá) de garam masala (se não tiver substitua por coentro em pó misturado com gengibre em pó, pimenta do reino além de louro em folha) 
  • Sal a gosto
  • 1 punhado de coentro fresco picado (opcional)
Modo de fazer:

Para defumar a(s) berinjela(s) você precisa coloca-la(s) diretamente sobre a chama de fogo no fogão. Isso mesmo. Eu costumo escolher a maio boca e colocar em fogo alto para ir mais rápido, mas você  deve ter cuidado para não se queimar. A cada 15-20 segundos gire a(s) berinjela(s) para que ela(s) inteira(s) seja(m) defumada(s). A casca irá pouco a pouco ficar com a aparência quebradiça, se desprendendo. Quando essa aparência cobrir toda a casca, significa que está pronto.
Coloque então, com cuidado para não se queimar, a(s) berinjela(s) em uma tigela com água fria e retire a casca com as mãos ou, se quiser, com a ajuda de um garfo. A casca sairá facilmente. Quando toda casca sair, tire a(s) berinjela(s) da tigela, corte fora a parte do cabo e pique-a(s) em pedaços médios - não precisa ser pequenos, pois depois irão se desfazer. Reserve.

Em uma panela média aqueça o óleo em fogo alto. Após alguns segundos acrescente o cominho em grãos, a pimenta dedo-de-moça e, se quiser, duas folhas de louro. Deixe a mistura fritar por um minuto, misturando. Adicione o alho picado, mexendo bem por mais 30 segundos e então junte a berinjela, misturando tudo bem. Acrescente o resto dos temperos, menos o sal e o coentro fresco e misture por 5 minutos. Junte o tomate picado e o sal, mexa bem e deixe a mistura por mais 5 minutos em fogo médio com a panela semi-tampada. Destampe e aumente o fogo novamente, mexendo sempre, o tempo suficiente para que o excesso de água evapore. Desligue o fogo.

Se gostar do sabor do coentro fresco, misture-o ao antepasto para finalização.

Rende uma entrada boa para até 6 pessoas. Pode ser servido quente ou frio (tradicionalmente é frio, mas eu gosto muito quente), com naan, chapati, pão sírio ou outro pão de sua preferência.

Bom apetite!

sábado, 12 de janeiro de 2013

Uma pausa para revisão


Na última sexta postei quatro sútras do Yôga Sútra aqui e confesso que depois fiquei um pouco incomodada. Sútra significa aforismo – isto é, pílulas de sabedoria condensadas, desidratadas. Não acho que ler um livro de sútras, como o de Pátañjali, de uma vez só faça muito sentido, pois em cada frase há mais do que se pode perceber logo de início. Eu mesma estudo o Yôga Sútra há dez anos, e a cada fez que leio um trecho, vejo coisas novas, que não havia percebido antes.

Por isso minha primeira ideia foi postar dois ou três sútras, no máximo, por dia, para que se pudesse efetivamente estudar esse livro tão importante. Quis postar os quatro para manter os tipos de vRittis juntos, mas eu mesma me peguei lendo-os mais superficialmente na hora de fazer um comentário.

Por isso, estou mudando os planos iniciais e deixarei o final de semana para revisão nos estudos (para aqueles que estão acompanhando essa série sobre o Yôga Sútra): Dê uma olhada nos sútras I-1 a I-11 que postei nessa última semana e leia-os sem pressa, com tempo para que eles assentem. Digo desde já para os que não praticam e nunca praticaram Yôga que a prática muda completamente a compreensão destes aforismos, afinal eles são exatamente o resultado de muita prática.

E amanhã, domingo, tenho uma surpresa para os que estão sentido falta das receitinhas vegetarianas... ;-)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Sútras I-8, I-9, I-10 e I-11

Como prometido ontem, hoje os sútras que falam sobre os outros quatro tipos de vRittis, além do conhecimento correto (pramáNa), que vimos ontem:

É interessante lembrar que no sútra I-5 se fala que alguns tipos de vRittis são dolorosos e outros não-dolorosos. Pátañjali deixa isso aberto para interpretação. Agora que temos um sútra para cada tipo de instabilidade, contando com o post de ontem, podemos refletir: o que é doloroso? Conhecimento equivocado? A memória pode trazer dor, mas também pode trazer alegria. Aliás, essa definição de memória, 'a não-extinção de experiências passadas', eu acho genial e é um dos meus sútras preferidos.

Lembrando; tudo isso é vRitti, instabilidade e só se suprimindo isso chegamos ao Yôga, para Pátañjali.

Amanhã tem mais!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Sútras I-5, I-6 e I-7

Prosseguindo com o primeiro capítulo do Yôga Sútra, Samádhi PadaH (Trilha do autoconhecimento):

Aqui Pátañjali começa a falar dos tipos de vRittis com os quais estamos identificados antes de chegar no estado de 'chitta vRitti nirôdhaH' sobre o qual falou em I-2. Se quiser ver os sútras anteriores veja o  post anterior.

Interessante: 'conhecimento correto' é um vRitti. Seja ele obtido "de fora para dentro", isso é, a partir da percepção e de relatos, seja "de dentro para fora" - pela dedução, pois esta se situa na razão, no corpo mental. O pensamento é alimento para a mente se manter instável...

Amanhã postarei os outros quatro tipos de instabilidade.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Sutras I-3 e I-4

Prosseguindo o que foi iniciado ontem, hoje os sútras I-3 e I-4 do Yôga Sútra de Pátañjali, na tradução de DeRose. Se você quer saber o que é isso, por que estou usando essa tradução, ou ler os sútras anteriores, veja o último post.

Então, quando conseguimos acabar com os vRittis (instabilidades), o observador toma consciência de sua própria identidade. Pátañjali opõe aqui instabilidade e identidade, de maneira que a primeira ofusca, oculta a segunda, como uma matéria densa eclipsando algo mais sutil... Quem já praticou um pouco mais entenderá esses sútras de forma diversa de quem nunca o fez.

Amanhã tem mais!

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Yôga Sútra de Pátañjali - vamos estudar?

Estava mais uma vez estudando o Yôga Sútra e tive uma idéia: por que não ir postando aqui os sútras na sua ordem, para que todos possamos estudar e refletir juntos? Muitos sútras deste tão importante livro do Yôga só tem sentido se lidos em sequência.

Farei o seguinte: a cada dia postarei dois ou três sútras, na sequência e dexarei ou não o meu comentário. Quem quiser, pode acessar os outros posts para ler os últimos com mais contexto. Utilizarei a tradução do DeRose por dois motivos: ela é a melhor que já tive acesso e tenho em casa. Se alguém tiver/quiser comparar com outras traduções e até indica-las seja bem-vindo a fazer comentário, ok?

Então vamos lá!

O Yôga Sútra é dividido em quatro partes: Samádhi Páda, Sádhana Páda, Vibhuti Páda e Kaivalya Páda.

A primeira parte, Samádhi PádaH (questões de transliteração também serão bem vindas - na presente tradução que tenho em mãos aparece tanto Páda quanto PádaH com o h com pontinho embaixo, indicando o visarga, que estou colocando como H maiúsculo aqui), está aqui traduzida como 'Trilha da Hiperconsciência'.




Esse segundo versículo é talvez o mais famoso de todo o Yôga Sútra e possui traduções bastante divergentes umas das outras. É aqui que Pátañjali define o que ele entende por Yôga e essa definição irá determinar tudo! É interessante pensar que, pelo menos na presente tradução, a definição que o autor dá do próprio Yôga se assemelha com a definição de meditação, ou da intuição linear, para ser mais precisa.

Para muitos autores, chitta é traduzido como mente, aqui ficou como consciência, que é um conceito diferente. VRitti foi aqui traduzido como instabilidade, em outros está como turbilhão, modificações, movimento, estados, impressões e etc. Por essas duas palavras já se percebe como a tradução influencia!

Amanhã postarei os próximos sútras. Aguarde!