domingo, 24 de outubro de 2021

Sobre parir de novo, se reinventar... e se redescobrir.

Não sei quanto tempo eu levarei para terminar de escrever esse post. Começo no dia 21 de março de 2019, aniversário de 1 ano do Caetano, meu segundo filho.

Não é a toa que esse blog está parado há tanto tempo. A Julia que o iniciou não existe mais. Ou melhor, existe e não existe. Mas o que me fez um dia ser uma pessoa ligada em redes sociais se transformou drasticamente.

Não que não exista vontade de escrever, compartilhar muitas coisas. A cada receita muito legal que descubro, a cada bom insight que poderia ajudar os outros. A vontade vem. Várias vezes tiro fotos dos pratos que fiz pensando na receita escrita já. Mas eu pisco e 2, 3, 10 dias se passaram. Dias de vivência intensa da vida real. Com dois filhos. E essa minha presença no dia-a-dia dessas duas crianças lindas que não tem a mínima ideia do que é esse mundo virtual, redes sociais ou a Momo, ah, ela não tem preço.

Escrevo agora enquanto os dois pequenos dormem e eu olho o aniversariante pela babá eletrônica. Acordei hoje muito emocionada pensando nesse ano que passou e quero muito registrar aqui como ele começou. Que esse relato possa ajudar outras mulheres assim como o relato do parto da Alice o fez.

Quando a gente engravida do segundo filho tem a ilusão de que não haverá mais tantas surpresas na gravidez, parto e puerpério. É claro que eu sabia que a existência da Alice por si só ja traria um desafio a mais. Mas nunca, em nenhum sonho, eu imaginaria o quanto muda tudo a cada vez.

A Alice havia nascido de parto natural domiciliar, e depois dela eu me especializei em Yoga para gestantes, o que me fez supor que eu entendia muito do assunto. Ha. Ha. Ha. Caetano chegou para me ensinar a ser mais humilde e mais aberta ao novo e ao desconhecido, por mais conhecido que a gente julgue que ele é.

Logo no início da gestação do Caê comecei a perceber que seria diferente, Eu me sentia muito
Minha última foto com Caê na barriga, voltando de uma aula

diferente. Eu amamentava a Alice ainda, e todo o tempo que eu tinha fora do trabalho era focado nela. Na primeira gravidez a gente curte cada parte. Cada transformação. Na segunda a gente nem vê o tempo passar! Alice começou a brigar muito com o peito, pois meu leite havia diminuído, e tomei a decisão de fazer o desmame da forma mais gentil possivel. Alice desmamou quando eu estava grávida de 4 meses, em outubro de 2017. Apesar de já não ser mais prazeroso amamenta-la (na gravidez o corpo rejeita a amamentação e incomoda e dói bastante), na noite da última mamada eu chorei. Por sentir que nossa relação mudaria. Por perceber que minha pequena estava crescendo. Tinha que crescer, para poder dar lugar ao irmão que vinha.

A gestação continuou. Dessa vez eu já sabia de inicio que Caê nasceria em casa, e eu e meu companheiro fizemos uma pequena poupança para as despesas do parto e puerpério. Eu já tinha a minha equipe, no início sem doula (Anna querida mudou pra Campinas). Lembrei que minha hemoglobina havia caído na gestação da Alice. Comecei a fazer uma alimentação viva, com germinados e muito suco verde para maximizar a absorção de nutrientes. Só que a hemoglobina caiu mais ainda (depois descobri que germinados podem atrapalhar a assimilação do ferro)!!! As parteiras me alertaram que não poderiam fazer meu parto domiciliar se eu estivesse anêmica. Desesperei. Percebi que não estava psicologicamente preparada para um parto hospitalar. Precisei de muita meditação e mergulho em mim mesma para aceitar melhor essa possibilidade. Mas eu não queria. Tomei ferro na veia por 4 semanas e enfim fui liberada para parir em casa.

Com umas 30 semanas Caê ainda não estava cefálico. Comecei a fazer as técnicas de Yoga para bebê pélvico. A super Bruna Rosa, doula que cruzou meu caminho na hora certa, me ajudou a virá-lo com sessões de massagem. Com 34 semanas.

Eu e meu parceiro começamos a planejar o parto. Agora a Alice era parte da equação. Será que ela estaria presente? Nós queríamos, mas não tínhamos certeza se na prática seria bom. Como ela lidaria com a minha dor? Com o meu descontrole? Conversamos muito com ela, preparando-a, e, ao mesmo tempo, fizemos uma lista de pessoas próximas que poderiam ficar com ela durante o parto. Ha. Ha. Ha. Se tivéssemos alguma idéia de como seria...

Dessa vez compramos a banheira inflável. Dessa vez escrevemos cartinhas para colocar debaixo da porta de cada um dos apartamentos vizinhos. Fiz a playlist do parto no spotify... além de tudo o que havíamos feito no parto da Aliçoca: planos de parto A e B, velas, incensos, todo o kit de PD.


A hora estava chegando. Minha barriga trasbordava ainda mais do que na primeira vez. Minha mãe achava minha barriga baixa... com 37 semanas já estávamos na expectativa de que eu entrasse em TP a qualquer instante. Mas não entrava. Algumas amiga que tiveram dois filhos me disseram que o segundo geralmente segue os passos do mais velho. Comecei a sentir que havia um grande relógio invisível ticando e me dizendo que eu tinha pouco tempo para fazer tudo o que eu queria antes do Caê chegar. Antes de eu sumir do mundo por uns tempos mais uma vez. Visitar amigas que tiveram bebê. Sair com o meu marido sem filhos por uma ultima fez  em tempos. Terminar os últimos detalhes da arrumação da casa. Fiz listas e as segui. Com 39 semanas tudo parecia estar em cima. Eu quase nem tinha contrações, mesmo as de treinamento me pareciam fracas comparando com oq eu tive na primeira gestação (como é impossível não comparar tudo, não?).

De repente percebi que meu tampão estava saindo. Opa! Bom, poderia ainda demorar segundo a equipe, mas significava que meu colo estava abrindo... e o tampão não parava de sair! Dias e mais dias com a calcinha lambuzada...

Na data prevista do parto minha cunhada casou em Arujá. Eu não iria, mas meu marido ficou na dúvida. De repente, algumas  contrações um pouco mais fortes vieram. Ah, não amor, melhor você ficar. Mas Caê ainda não queria vir... Mais alguns dias com calcinha lambuzada de tampão. Com 40+2 me perguntei: o que falta? Vasculhei minha mente. A única coisa que eu não tinha conseguido fazer não parecia tão importante... rever O Renascimento do Parto. Era algo que eu queria fazer para relembrar tudo o que é mais valioso nesse momento, mas eu tinha conseguido o documentário em um formato que meu computador não conseguia ler...

Continuei trabalhando, minha alunas gestantes se surpreendendo na minha volta a cada aula. Com 40+3 fui e voltei de ônibus do núcleo de Yoga onde eu lecionava. Eu me sentia ótima, fora a chatice do tampão e poucas contrações esparsas e desrritimadas que nem eram tão fortes. Lembro de, naquela noite de terça feira, dia 20 de março de 2018, enquanto eu caminhava para casa do ponto de ônibus, pensar que talvez seria a ultima vez com Caê dentro de mim.

Cheguei em casa e meu marido tinha conseguido o programa que rodava O Renascimento do Parto! Assistimos. Me emocionei. Revivi esse universo. Pronto. Agora minha lista estava zerada. O engraçado foi que nesse momento, eu nem mais ansiosa estava. Ele virá na hora dele. Fomos dormir.

Acordei umas 4h30 (nunca saberei o horário exato pois não tava ligada no relógio) com uma cólica absurda. Diarréia. A cólica era muito forte, a mais forte que já havia sentido. Eu tremia de dor. fiquei em silencio sentada no vaso deixando tudo aquilo sair de mim... de repente Alice acorda. Ela, que há tempos dormia a noite toda, tinha voltado a acordar nas ultimas noites. Meu marido acorda com o chamado dela. Resolvo chama-lo no banheiro. Eu não me aguentava de dor.

Será que é trabalho de parto? Mas eu não sentia contrações. Só a dor no quadril que me rompia. E não tinha pausa... era uma coisa contínua. O Jack resolveu ligar para a Bruna, doula. Eu fui para o chuveiro ver se a água quente ajudava meu quadril a não explodir. Não adiantava. Me enrrolo em uma toalha enquanto meu marido me informa que a Bruna estava com Giardíase e não poderia vir. Perguntou se eu queria outra doula. Alguém que eu não conheço agora? Não. Jack, você vai ser meu "doulo".

Alice fica um pouco assustada em me ver daquele jeito. Chamo ela, abraço. Explico que está tudo bem. Jack se divide em esquentarbolsadeáguaquenteacalmaraAliceligarparaasparteiras. Elas perguntam sobre as contrações. Não tem pausa na dor! Não sinto não, Maíra! Jack coloca a mão na minha barriga. Está com contração sim, Júlia. Eu só sinto DOR. Caio no chão. Mordo a perna do Jack.

Ok, as parteiras estão vindo. Jack vez uma tapioca para a Alice. Ela quer ficar do meu lado, me ajudar... resolve me dar um elástico para prender o cabelo. Nesse momento eu não estou mais conseguindo lidar. Peço para ela se afastar. Ela chora. Jack vai colocar um filme no computador para ela e eu vou pra nossa cama tentar achar uma posição menos pior... não tem. Sentada, agachada, de quatro. Não tem posição que alivie. Ouço ao longe o Jack enchendo a banheira. Será essa a solução? Não dá tempo.

Caio no chão urrando de quatro. Jack vem correndo. Será que tem MAIS diarréia? É o que parece... Jack só me fala pra soltar tudo. Não, era a bolsa estourando com mecônio. Na descida do Caê pelo canal. Alguma coisa que pareceu com o parto da Alice. Eu aviso pro Jack que vai nascer. Ele não acredita. Já? Sim, já está coroando... não vai dar pra esperar as parteiras chegarem. Me apoio no anteparo ao lado da nossa cama. A cabeça sai no primeiro puxo. Caê tosse, ainda com o corpinho dentro de mim. Jack se prepara. Mais um puxo e segura nosso filho nas mãos para que eu possa desgrudar as minhas do anteparo e o segure com delicadeza para que o pai desenrole seu largo colar de 2 voltas feito no pescoço pelo cordão. Peço toalhas para aquecê-lo. Jack me ajuda a nos acomodar na cama e como um raio limpa todo o chão enlameado de mecônio. Liga para uma das parteiras. Nasceu! Uma delas, a Bianca, já está estacionando o carro. Chega ao nosso apartamento cerca de 5 minutos depois do nascimento, para me auxiliar no parto da placenta.

Estou amamentando o pequeno quando a cólica volta. Mas a placenta demora um pouquinho a dequitar. Ela sai enfim, mas ainda sinto dor. O sangue não para de sair... Caetano já está do lado de fora, mas ainda não terminou.


Um mar de sangue... hemorragia. Que bom que a Bianca está aqui! Essa foi realmente a hora certa dela
chegar. Ela me aplica oxitoxína IM na perna. Arde. Mas o sangue continua. Oxitoxína IV. Fico triste. Um parto tão natural e agora tudo isso! Mas é necessário. Ainda tenho bastante cólica e o rio vermelho não seca. Vamos para o Ergotrate. Que dor HORRIVEL!!!

Enfim a hemorragia para. Foram intervenções imprescindíveis mesmo e me senti grata de ter comigo profissionais tão preparadas e sérias... confiança e segurança totais. Bianca e Maíra (que chegou em algum momento que eu mal lembro) discutem a gravidade da minha hemorragia. Eu perdi mais de 1 litro de sangue. Me sinto fraca. Falo para elas que tenho Noripurum IV (ferro) na minha geladeira . Elas gostam da ideia e me colocam no soro com Noripurum.
Amamentando e recebendo ferro na veia

Estou cansada. Jack me fala que estou muito branca. Mas estou feliz. Nosso filhinho está ótimo! Saiu de mim como um raio ariano, mas agora é a imagem da serenidade. As parteiras me informam que eu não precisarei ir para o hospital. Agora é descansar e me alimentar. Tomo "suco de placenta", como castanhas.... ja estou na minha cama. Como é bom parir em casa!

E foi assim. Sem tempo de encher banheira, ligar playlist ou ascender velas. Caetano quis sair mais rapido do que tudo isso. Antes mesmo das parteiras chegarem. E veio ótimo, perfeito. Elas foram fundamentais para me auxiliar com a hemorragia, mas quem pariu fui EU. Quem segurou foi o pai.

Papai e írmã com o pequeno enquanto mamãe se lava. 
Passei os 4 dias seguintes com contrações fortíssimas e muito dolorosas a cada mamada do Caê, expulsando os coágulos formados pela minha placenta. Pode-se dizer que o Caetano nasceu em 2 horas de parto ativo. Mas meu trabalho de parto durou 4 dias! Bianca e Maíra me explicaram eu tive "atonia uterina", ou seja, a força que meu útero fez durante o parto foi tão grande, em um espaço tão curto de tempo, que me útero ficou exausto e não conseguia mais contrair depois que o pequeno saiu. Por isso a placenta demorou a dequitar, formou coágulos e eu tive uma hemorragia forte. Não desejo essa experiência para ninguém, mas ao mesmo tempo... não mudaria nada.

Caetano desde então vem nos surpreendendo a cada dia, como um doce furacãozinho que ele é.

Consigo terminar esse relato mais de 2 anos depois de inicia-lo. Isso é maternindade real, com a adição de uma pandemia no meio do caminho!

Mas não quis deixar de terminar, para nunca esquecer desse momento e, quem sabe, ajudar outras mães... parto natural e domiciliar é possível SIM! Nunca é o que a gente planejou, mas pode ser lindo, cada um a sua maneira.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Iogurte maravilhoso de coco verde

Olá a todos! Faz muuuito tempo que não me comunico por aqui e tenho sentido muita falta.

Estou no momento focando mais a minha divulgação pelo canal do YouTube, mas não quero deixar de forma alguma o blog e os posts, que acabam tendo uma "pegada" muito diferente dos vídeos, e onde eu criei um espaço mais íntimo e pessoal.

Nessa minha segunda gravidez tenho sentido a necessidade cada vez maior de me nutrir bem e ando me aventurando pela cozinha viva. Confesso que eu tinha um certo preconceito com o crudivorismo e penso que talvez eu nunca seja uma radical que não cozinhe nenhum alimento - afinal, se alimentar é um ato também afetivo, e uma comida quentinha as vezes é oq nosso purusha precisa - mas descobri que a comida crua pode ser deliciosa, além de me trazer um nível de vitalidade equiparável à minha pequena wonderful two :-)

Estou já com várias receitas e dicas aguardando que a vida louca me de tempo para postar aqui. E enfim consigo desengavetar a primeira!

Esse iogurte de coco verde é de longe o melhor que comi desde que abandonei os laticinios de origem animal e muito, mas muuuito fácil de fazer! Só que leva tempo.

Esse meu mergulho na cozinha viva também me trouxe essa lição: uma relação mais saudável com
os alimentos não pode ser feita na pressa. Esse tempo que o mundo de hoje não quer admitir é essencial para dar vida aos grãos e cereais. Tenho aproveitado essas esperas para incrementar minhas meditações. Tem sido muito gostoso!

Ingredientes:

- Polpa de pelo menos 2 cocos verdes (quanto mais carnudo ele estiver melhor)
- Rejuvelac*

Modo de preparo:

- Coloque a polpa dos cocos no liquidificador, tomando cuidado para tirar a parte marrom. Não recomendo que se faça com menos do que 2 cocos (se tiver pouca polpa use pelo menos 3), pois vai espirrar tudo e o liquidificador vai ter dificuldade para bater. Acrescente rejuvelac suficiente para conseguir bater. Quanto mais rejuvelac, mais líquido vai fica, então se vc quiser um iogurte tipo grego coloque o mínimo. Na hora de bater talvez vc tenha que parar e mexer algumas vezes, dependendo da potencia do seu liquidificador. Bata até virar um creme uniforme.

- Despeje o creme em um pote de vidro, tomando o cuidado para não enche-lo demais, pois durante o processo de fermentação o iogurte vai ganhar volume. Cubra com um pano limpo ou voil e deixe em local escuro, em temperatura ambiente, por 24h.

- Está pronto! Guarde em geladeira por até 2 dias (cuidado, pois ele continua fermentando mesmo na geladeira, então vai ficar cada vez mais ácido). Consuma da mesma forma que faz com o iogurte comum. Ficou divino com melado de cana, mirtilos e granola :-P


*Rejuvelac é um probiótico natural e caseiro, super fácil de fazer e completamente vegano. Ele é mega saudável e pode ser tomado puro, com frutas e sucos ou também pode ser usado para fermentar iogurtes, queijos e pães. Saiba mais no site Doce Limão e pegue a receita que eu segui no lindo Blog da Veganana.

Bom apetite!

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Sobre presentes, consumismo e a construção de uma relação com a criança


Chega enfim o aniversário de 2 aninhos da nossa filhota. O primeiro aniversário onde ela entende todos os símbolos que esta data traz.

Bolo, parabéns, dia especial, montanhas de presentes. Tudo muito estimulado socialmente e naturalizado. Qual é o problema disso?

Estamos tentando criar a Alice de uma forma um pouco diferente do senso comum, nos baseando nos valores que queremos passar para ela e que vão bastante contra a corrente para a maioria das pessoas.

Doces não são tratados como recompensa ou o maior prêmio que se pode ganhar. Na verdade a Alice nunca comeu açúcar. Já comeu bolo sim (e veja bem, não temos nada contra bolo!) – só que sem leite (ela já toma o da mamãe dela e preferimos deixar o da vaca para o bezerro) e sem açúcar (adoçado com frutas). Ela ama. Não é algo de todos os dias, é especial e ela sente isso. Ela não sente a falta do açúcar porque nunca provou. Para que a formação do paladar da nossa pequena gourmet continue indo bem como está pedimos para que você sempre pergunte para os pais antes de oferecer um alimento (não somente para a Alice, para qualquer bebê – você não sabe se ele tem alguma alergia ou intolerância).

O dia dela é especial! Sim! E é uma delícia receber parabéns e o abraço apertado de quem amamos!

Mas para fazer desse dia único NÃO precisamos de uma enxurrada de presentes que nem cabem no quarto dela e que muitas vezes gerarão mais frenesi pela quantidade do que o que eles são. Esse costume nos insere por definitivo na lógica do consumismo, onde nos tornamos seres insaciáveis e muitas vezes descontamos nossas carências e frustrações adquirindo mais e mais itens supérfulos – lógica da qual queremos preservar nossa pequena o máximo possível. Sabemos que esse é o costume da nossa cultura: presentear para mostrar o carinho, amor e consideração. Consideramos todas essas demonstrações ricas e preciosas, por isso elaboramos algumas sugestões para você que quer presentear a Alice:
  1.   Dê a sua presença: ela é o melhor presente! Faça uma visita. Passe a tarde brincando com a Alice. Pense em um passeio gostoso (se a Alice não tem ainda uma relação de confiança com você ou você não se sente seguro em ficar sozinho com ela o papai ou a mamãe podem ir junto dar um suporte); um parque, um teatro, uma visita à um santuário de animais (preferimos estes, que cuidam de animais resgatados, do que os zoológicos)... as opções são do tamanho da sua criatividade. Para a Alice estar com você será muito mais significativo para edificar um laço de carinho do que ganhar uma barbie.
  2.  Se você quer dar um objeto físico, escolha de preferência algo seu ou de seu filho, que traz toda a sua história junto. Além de ser uma atitude sustentável, é muito mais divertido! A boneca preferida da Alice é a Catita, que tem mais de 60 anos de idade e foi da vovó dela quando era bebê.
  3.  Se mesmo assim para você for importante comprar algo novo para a Alice, pedimos que sejam roupas (ela veste 3 anos e calça 22 – pedimos para que você saia um pouco do rosa... a cor preferida dela é amarelo), livros (ela já consegue acompanhar histórias e tem uma pequena biblioteca, mas pedimos que não sejam de princesas, pois queremos criar uma mulher forte e independente e não uma donzela frágil que precisa ser resgatada) ou brinquedos de madeira – em especial instrumentos musicais. Enfim, presentes menos esteriotipados e estigmatizantes ;-)

Espero que você não nos leve a mal. Podemos parecer chatos, mas pense que estamos fazendo de tudo para criar uma futura cidadã que tenha os melhores modelos possíveis. E esses são os nossos valores. Respeitamos se não forem iguais aos seus. Só pedimos que também nos respeite.

Um abraço


Júlia e Jack

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Aulão aberto de final de ano no Parque Vila Lobos

Atenção alunos, ex-alunos, interessados e curiosos:

Na última semana deste ano teremos uma super aula aberta para todos que quiserem conhecer o meu
trabalho ou matar as saudades <3

Estarão presentes alunas de Baby Yoga e seus bebês, então haverão algumas posições adaptadas para fazer com seus filhotes! Mas não só: será uma prática bastante energética que contemple a todos que querem praticar Yoga e recarregar suas baterias!

A aula ocorrerá no Parque Vila Lobos, dia 26 de dezembro de 2016 (seguda-feira) - às 15h. Essa data e horário estão sujeitos a alterações caso o tempo não colabore conosco, então fique ligad@ na página do facebook para informações sempre atualizadas ou entre em contato diretamente comigo pelo whatsapp (11) 99728-4666. Estamos programados para nos encontrar na entrada principal do parque às 14h30, ao lado da locação de bicicletas.

Vamos terminar 2016 com as melhores energias, preparados para o ano que chega!

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Novas turmas e uma nova parceria especial!

Alô, alô mulheres que querem se empoderar na gravidez e se redescobrir no pós-parto!

turma Yoga para gestantes
Hoje tivemos a primeira aula de Baby Yoga na Lumos, um espaço para lá de especial que receberá as práticas para recém-mães e para gestantes. A aula foi muito legal e abriu as inaugurações de atividades nesse espaço tão lindo criado para as famílias pela queridíssima Vânia Gato Medeiros. E nessa quinta-feira, 13 de outubro às 18h, teremos uma aula aberta de Yoga para gestantes! Para quem quiser participar entre em contato com a Lumos pelos telefones: 3862-5327 ou 96695-8667. Apenas 8 vagas! A partir da semana que vem iniciaremos as turmas regulares :-)

No meu último post falei um pouco sobre o meu caminho para chegar nessas aulas. Aqui quero contar um pouco para vocês do conteúdo destas práticas tão especiais:

Yoga para gestantes:

Curso focado no bem-estar da mulher gestante, visando equilibrar corpo, mente e emocional nesta fase única que é a gravidez. Aplica-se o trabalho de autoconhecimento do Yoga a todos os momentos da gestação (a prática pode ser feita desde o primeiro trimestre até o parto). Entre seus inúmeros benefícios, encontramos:
  • A melhora e manutenção da saúde física da mulher. Trabalha-se o equilíbrio e bem-estar da coluna vertebral auxiliando a adaptação ao novo eixo de gravidade; melhora a circulação sanguínea e lifática; melhora a respiração, trazendo mais oxigenação para o bebê; alivia prisão de ventre e gases; alonga e fortalece a musculatura.
  •  O empoderamento sobre o corpo e as emoções. Trabalha o autoconhecimento, trazendo mais confiança e serenidade; ajuda no equilíbrio hormonal – trazendo mais equilíbrio emocional; reduz o estresse e diminui a ansiedade; aumenta a conexão da mulher consigo mesma e com o bebê.
  • A preparação para o parto.  Fortalece o assoalho pélvico e o períneo; desenvolve consciência corporal; as vocalizações (mantras) auxiliam o relaxamento da mandíbula – auxílio da dilatação; proporciona a melhor respiração para o parto.

As aulas são realizadas em grupos e englobam técnicas respiratórias (pránáyámas), corporais (ásanas), vocalizações (mantras), de mentalização, meditação e relaxamento. Cada praticante possui uma sequência de técnicas personalizada de acordo com o seu momento da gestação e outras características pessoais, motivo pelo qual é necessária uma consulta prévia para conversa e levantamento das suas necessidades particulares. Com a duração de 1h30, há espaço também para se tirar dúvidas e trocar com as colegas. Os maridos são bem-vindos para compartilhar deste momento com a futura mãe.

Baby Yoga

Após o parto há dois nascimentos: o do bebê e o da mãe. Muitas vezes esquecemos que a nova mãe precisa ressignificar toda a sua vida após ter seu filho: re-conhecendo um novo corpo, uma nova rotina e novas responsabilidades. O período do puerpério é assim marcado por emoções à flor-da-pele, oscilações, dúvidas, medo e solidão.

O Baby Yoga é uma adaptação da filosofia milenar indiana para que as novas mães possam retornar às atividades físicas e sociais durante esse período tão especial sem precisarem se separar de seus bebês! Estes acompanham as aulas, interagindo e usufruindo junto com estas dos incontáveis benefícios da prática.

Dentre eles, destacamos:
  • A recuperação física e emocional do parto; ajudando a percepção do novo corpo, fortalecendo o períneo no pós-parto; auxiliando o retorno da musculatura abdominal; reduzindo a ansiedade e possível Depressão Pós Parto.
  •  O aumento do vínculo mãe-bebê; ajudando a extravasar e eliminar conflitos, melhorando a sensação de domínio, trazendo relaxamento e melhorando o sono de ambos.
  • O trabalho de autoconhecimento desta mãe recém-nascida; melhorando a autoestima e trazendo consciência e equilíbrio físico, emocional e mental para esta nova fase.
As praticas em grupo ainda privilegiam a troca e a interação entre as mães! As aulas abordam técnicas respiratórias (pránáyámas), corporais (ásanas), de mentalização e relaxamento. Com a duração de 1h, é recomendado o início a partir de 30 dias depois do parto (no caso de cesárea o tempo pode ser maior), podendo se estender até onde o bebê queira (geralmente após começar a engatinhar o bebê prefere “explorar o espaço” ao invés de interagir apenas no colo da mãe). 

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Yoga pra quê? E para quem?

Pode fazer Yoga só para emagrecer?

E para relaxar?

Velhinhos podem fazer Yoga?

E grávidas?

Há poucos anos atrás,  eu responderia as perguntas acima com muitas negativas e restrições. Isso porque na escola onde comecei a estudar essa filosofia há uma visão bastante purista da prática, considerando qualquer pessoa que queira usufruir de seus benefícios sem contemplar de todo o universo que o Yoga abarca um não merecedor.

Como já falei em outro post, quando engravidei mudei profundamente a minha relação com tudo, inclusive com a minha filosofia de vida. Confesso que inicialmente resisti à mudança de paradigma, por puro condicionamento (falo mais dessa questão aqui). E assim, apesar de ter sentido na pele a diferença brutal que a consciência que o Yoga me deu trouxe para a minha gestação e parto (falo dele aqui), quando milha filhota nasceu eu recusei inúmeros pedidos de mães amigas para criar um grupo de Baby Yoga. Na minha cabeça fazer uma adaptação da prática para mães e bebês era a coisa mais esdrúxula do mundo.

Só que não. Demorou, mas comecei a poder ouvir outras pessoas e também a fazer um auto-estudo: o momento do puerpério é até hoje a fase de maior transformação pela qual eu passei na minha vida. Um momento de emoções à flor-da-pele. Um novo corpo para ser re-conhecido. Uma nova vida, agora acompanhada de um novo ser.

Yoga é uma filosofia de autoconhecimento. Uma forma de enxergar o mundo que abrange todos os aspectos da vida humana: físico, emocional, energético, mental, intuicional, valores, cultura, condicionamentos... a prática toca em tudo isso e mais. Por que não abraçar as puérperas, essas mulheres em (re)construção, com essa possibilidade de ser, sentir e estar tão plena que é o Yoga?

Ok, há adaptações na prática para que o bebê possa participar deste momento. E daí? Qual é o problema? Cada vez mais vejo o quanto podemos aprender mais e melhor quando abrimos a nossa cabeça para mais informação e consciência.

Em breve anunciarei na minha página do face uma nova turma para gestantes e outra de Baby Yoga, em parceria com um espaço lindo de viver que será inaugurado (tchantchantchantchan...). Fique ligado! Se quiser sempre as informações atualizadas curte lá ;)

Termino com o meu último vídeo, onde falo brevemente desta experiência na gravidez.


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Risoto de abóbora com côco e sálvia

Mais uma receita baby-friendly aqui no blog, em especial para quem fez o curso de temperos para BLW comigo. Na verdade preciso contar um segredo: as receitas para bebês são as mesmas que faço para adultos com pouquíssimas alterações! Afinal, nossos pequenos merecem comida de verdade, saborosa, rica em cores, aromas e texturas como gostamos para nós ;)





Esse risoto é vegano e feito com arroz integral, e acredite, é de se comer rezando! Uma prova de que alimentação saudável pode e deve ser muito gostosa.

Ingredientes:

  • 1 xícara de arroz cateto integral
  • 2 xícaras de caldo de legumes caseiro*
  • 1/4 xícara de cebola picada
  • 1/4 xícara de salsão picado
  • 2 colheres (sopa) de óleo de côco extra-virgem
  • 1 1/2 xícara de abóbora japonesa cortada em cubos pequenos
  • 3 colheres (sopa) de sálvia fresca picada
  • 2 colheres (sopa) de leite de coco caseiro (receita aqui) (opcional)
  • Sal a gosto (caso quem vá comer tenha mais de 1 ano de idade)
  • Coco ralado para decorar (utilizo o resíduo do leite de coco)
  • Para bebês menores de 1 ano: farinha de coco para dar o ponto nos bolinhos.

Modo de preparo:

  1. Lave bem o arroz em água corrente para tirar as impurezas dos grãos.
  2. Junte o arroz e o caldo de legumes em uma panela de pressão, feche e leve ao fogo alto. Quando começar a apitar abaixe o fogo e deixe cozinhar por 15 minutos. Tire do fogo e tire a pressão para interromper o cozimento. Reserve.
  3. Cozinhe a abóbora da forma que preferir. Eu particularmente gosto de faze-la no vapor, mas você pode colocar em uma panela com um pouco de água (não muita, se não o risoto ficará aguado) ou então assar com um pouco de azeite em uma travessa envolvida por papel alumínio. É importante que a abóbora fique bem macia, no ponto de poder amassar com um garfo. Reserve.
  4. Em uma panela média e em fogo alto aqueça 1 colher de óleo de coco. Quando estiver quente adicione a cebola e o salsão e refogue até a cebola ficar transparente. Acrescente a abóbora cozida (ou assada) e a sávia, misturando bem e amassando a abobora levemente com a colher de pau até virar um purê ainda com pedacinhos no meio.
  5. Junte o arroz e misture bem, deixando a abobora envolver o arroz totalmente. Se desejar um risoto ainda mais cremoso e aveludado acrescente o leite de coco (mais também fica bom sem). Deixe cozinhar por cerca de 3 minutos ou até estar na consistência da sua preferência.
  6. Desligue o fogo e adicione o óleo de coco restante, misturando delicadamente para dar mais brilho e sabor ao risoto.
  7. Se o seu bebê ainda não come sal separe nesse momento a porção dele. Se ele é adepto do
    BLW e come sozinho mas ainda não maneja talheres, faça bolinhos: deixe o risoto esfriar um pouco e adicione a farinha de coco até conseguir moldar os bolinho com as mãos.
  8. Adicione o sal a gosto para o resto da família. Decore com o coco ralado. Está pronto!

Essa receita rende 4 porções médias. Aqui em casa vez sucesso com a minha pequena, que pediu para repetir! Vai muito bem acompanhado de uma salada verde com tomates e castanhas.




Bom apetite!

Alice comendo o risoto em forma de bolinhos, acompanhado de feijão preto e abobrinha!


* Para fazer 1 litro de caldo de legumes caseiro, ferva 3 xícaras de talos e cascas de legumes (aproveite as partes que você geralmente jogaria fora) de sua preferência com 2 litros de água filtrada por 30 minutos. Coe e o caldo está pronto. Pode ser congelado por até 3 meses. Gosto muito de colocar salsão, pimentão, cebola e talos de salsinha. 

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Salada de feijão fradinho para comer desde bebê!

Faz muito tempo que não posto aqui alguma receita. Na verdade houveram várias descobertas culinárias nesse último ano, mas por conta da correria com a cria eu nunca conseguia postar aqui.

Essa receita marca uma nova fase minha na cozinha: depois que comecei a amamentar minha relação com o consumo de leite de vaca mudou: me dei conta do quão estranho e fora de lugar é se alimentar do leite de outro animal, leite esse que a natureza destinou e produziu especialmente pra cria deste animal. Leite que essa cria deixa de tomar para que a gente o consuma. Me coloquei no lugar da vaca, do bezerro (que vira vitela na absoluta maioria dos casos e na verdade só existiu para que tomemos o seu leite, pois as vacas leiteras sofrem inseminação artificial), e percebi que não faz sentido deixar de comer carne por uma questão ética e continuar consumindo laticínios. Assim, estou mais e mais vegana, e minhas receitas expressam essa tendência.

Ainda, essa receita também carrega consigo - como tudo o que eu faço agora - minha relação com a maternidade: a Alice começou a comer aos 6 meses através de um método de alimentação complementar chamado BLW (baby led weaning: o desmame guiado pelo bebê), onde não há papinhas - os alimentos são apresentados em pedaços que o bebê consegue pegar sozinho e levar à boca. O que me encantou nesse método é a autonomia e o protagonismo do bebê no processo, além da experiência sensorial que transforma o ato de comer em uma aventura de cores, texturas, cheiros e gostos. Cada bebê é respeitado como ser único que é, levando o seu tempo individual para fazer a passagem da alimentação líquida para a sólida, sem estresse ou pressão. Isso ajuda a ser criada uma relação saudável, espontânea e prazerosa com a alimentação.

Sendo assim, a salada de feijão fradinho é uma excelente opção para toda a família, a partir de 6 meses de idade: super nutritiva, colorida e saborosa, agrada a todos!


Ingredientes:

  • 1 xícara de feijão fradinho deixado de molho em água com gotas de limão ou vinagre por 8 horas (troque a água na metade do tempo para diminuir a incidência de gases).
  • 3 xícaras de água
  • 1 folha de louro
  • 1 colher (chá) de cominho em grão
  • 1/2 cebola roxa ralada
  • 1/2 cenoura ralada no ralo fino
  • 3 colheres (sopa) de pimentão vermelho orgânico assado com azeite até ficar macio e depois picado
  • 1 xícara de coentro fresco picado
  • 4 colheres (sopa) de azeite extra virgem
  • suco de 1 limão
  • sal e pimenta a gosto (para bebês abaixo de 1 ano separe a porção dele sem sal e adicione para o resto da família no final)


Modo de preparo:

Escorra o feijão e lave na água corrente. Cozinhe na panela de pressão com a água, o louro e o cominho por cerca de 10 minutos. O tempo de cozimento pode variar dependendo do tempo de molho e também se o feijão está mais velho. Cheque a consistência: deve estar bem macio, mas não desfazendo. Caso necessário deixe um pouco mais na pressão. Escorra e coloque em uma tigela. Junte com todos os outros ingredientes. Está pronto!

Observações:

  1. O ideal é que esse prato seja feito com antecedência, pois quanto mais tempo o feijão ficar marinando nos temperos, mais saboroso vai ficar.
  2. É realmente importante que o pimentão seja orgânico, pois ele é um dos alimentos que mais absorve agrotóxicos. Caso não o encontre você pode fazer a receita sem ele sem problemas que também ficará gostoso.
  3. Para bebês que ainda não possuem o movimento de pinça o ideal é apresentar esse prato na forma de bolinhos: aqueça rapidamente a salada em uma frigideira, amasse o feijão com um garfo e molde bolinhos de um tamanho que o seu bebê consiga pegar e ainda sobre um pouco para fora da mão. Sua cria irá se divertir e se deliciar!

Bom apetite!


sábado, 25 de junho de 2016

Sobre compaixão, sororidade e união: para o Tom, a Ana e o Rodrigo.

Desde que me tornei mãe um novo universo de emoções e relações se abriu para mim. Para além das mudanças físicas, essa nova relação que se instaurou entre eu e a Alice transformou minha visão de mundo. Mais do que a visão. Minha ação na sociedade, todos os dias.

O universo feminino muitas vezes vem marcado pela competição, onde cada mulher vê as outras como ameaça e rival. Esse pensamento, fruto de uma sociedade machista como a nossa, fragiliza ainda mais as mulheres, que já são minoria em termos de direitos e de respeito e só faz reforçar a crença de que estamos aqui única e exclusivamente para lutar pela atenção dos machos. Isso também é cultura do estupro, com tudo o que ela traz de consequências.

No que tange o contato com outras mães percebi que há dois caminhos a serem trilhados: pode-se escolher o seu ideal de "boa maternidade" e rechaçar todas as mães que não o seguem ou pode-se compreender que existem muitos caminhos e que cada uma trilha aquele possível para si. Não existe mãe perfeita, existem mães possíveis, cada uma ao seu modo.

Eu me enveredei pelo caminho da humanização e criação com apego: com livre-demanda de amamentação, sem chupeta nem nana-neném. Com o passar do tempo fui descobrindo a minha própria rigidez - fruto de uma auto-cobrança absurda que tenho - que acabava resultando na censura de mães que faziam diferente de mim. Foi um exercício importante e difícil reconhecer que existem outras verdades e que mesmo nos pilares em que acreditamos não somos perfeitas. Exemplo: eu olhava com maus olhos mães que não amamentavam. Até passar por 10 semanas de dor lancinante para amamentar e ter uma filha sugadora que ficava horas a fio no peito. Eu continuei amamentando e amamento até hoje minha pequena por acreditar que realmente isso é o melhor para ela. Mas nunca mais criticarei qualquer mãe que por qualquer que seja o motivo não amamente. Pois sei que pode ser muito difícil, apesar de lindo.

Esse é apenas um dos infinitos desafios que as mães enfrentam. Este e todos os outros me fizeram conhecer a palavra sororidade. Tive a sorte de ser convidada pela querida Dra. Vania Gato Medeiros, pediatra da minha pequena, a participar de um grupo de mães com bebês da mesma idade da Alice, e nossa, como foi importante! Pude dar e receber apoio e... pude ver mães lidando com os desafios cada uma a sua maneira. Sem julgamentos, com muita compreensão e irmandade.

Quando passamos pela experiência de gerar uma vida, a relação com a mortalidade muda. De imaginara dor de uma mãe que perde um filho um enorme buraco se abre em meu peito e lagrimas imediatamente inundam meus olhos. Porque é inconcebível a vida sem minha filha. E consigo perfeitamente me colocar no lugar dessa mãe. Ao mesmo tempo nós também não podemos morrer. Temos pequenos seres em formação absolutamente dependente de nós,  e nossa presença influenciará os adultos que eles se tornarão.

Escrevo tudo isso inspirada em um caso de uma mãe conhecida que está agora com seu bebê na UTI, lutando pela vida. O nome da mãe é Ana e o nome do bebê é Tom. Este pequeno guerreiro nasceu prematuro, com apenas 1,9kg e agora está enfrentando bravamente uma broqueolite viral. Esta mãe e este pai, o Rodrigo - grandes guerreiros também, passam dia e noite no hospital com o pequeno e pedem a todos algo simples, que qualquer um pode dar, mas extremamente importante: boas energias. Pensamento positivo.

Gravei um vídeo no meu canal do Youtube sobre mentalização explicando para os leigos como fazer. Convido a para se juntarem a essa corrente. Mesmo para os céticos, pensem que nenhum mal pode trazer pensar em coisas boas.



Por um mundo com mais união e compaixão. Pois juntos somos mais fortes!


domingo, 24 de abril de 2016

Sobre parir, nascer e se descobrir

Enfim escrevo sobre o meu parto, após quase 1 ano! 

Dentro do vendaval de mudanças que a maternidade trouxe, o parto foi um momento muito especial e marcante. Ouso dizer que entendi o verdadeiro significado do Tantra - filosofia comportamental matriarcal, sensorial e desrepressora - somente depois de parir. Na verdade, penso que a cada dia após o fatídico 21 de junho de 2015 me descubro mais como corpo sensível, instintivo e intuitivo, feminino que sou.

Quando me descobri grávida - em algum lugar de outubro de 2014, eu pouco sabia sobre parto. O que minha querida mãe havia me passado é que o parto normal era infinitamente melhor do que a cesárea e que eu tinha que tomar cuidado com o obstetra que faria meu parto, pois muitos induzem à cesárea por puro comodismo. Bom, muito, muito obrigada, mãe! Esse foi o primeiro passo para que minha filha nascesse da melhor forma possível.

A segunda coisa que descobri foi que o melhor é o parto humanizado, mas para ser sincera não entendia inicialmente o que isso significava. Humanizado é com a luz mais baixa e com uma musiquinha tocando ao fundo? Essa era a minha primeira impressão. De qualquer forma, minha irmã me informou que o parto humanizado respeitava mais a mãe e o bebê e com essas palavras me convenceu a me aprofundar no assunto. Obrigada Dri!

O terceiro elemento desse caminho foi assistir ao documentário "O renascimento do parto", que ganhei de uma aluna querida. Renata, minha eterna gratidão a você, que com seu gesto me fez efetivamente compreender o quanto parir de forma digna e respeitosa é uma luta na nossa sociedade. Chorei muito vendo o documentário e me dando conta do quão violento, submisso e machista esse processo natural acaba sendo na maioria das vezes. Ao mesmo tempo, o vídeo me mostrou a força e potência do corpo feminino. Devo dizer que ver tantas mulheres parindo me gerou primeiramente um misto de emoção e medo! Então eu tinha esse poder dentro de mim? O poder de dar a luz a outro ser vivo sem precisar de mais ninguém? Hoje olho o meu susto com um sorriso nos lábios. Me parece tão óbvio que sim. Mas a Júlia a.A. (antes de Alice) ainda vivia dentro da gaiola cientificista e masculina em que a maioria vive, e achava que para que um parto ocorra é preciso de máquinas, médicos, remédios e salas equipadas.

A partir daí minha busca por um parto respeitoso foi incessante. Visitei o consultório de 8 obstetras, na maioria das vezes saindo da primeira visita para não mais voltar. Quando estava no 7º médico (com quem acompanhei boa parte do pré-natal, pois ele se declarava a pró-parto natural, apesar da sala de espera dele mostrar outra coisa), comecei a me sentir extremamente insegura com médicos e pensar que talvez nenhum me contemplaria. 

Eu ainda partilhava da crença de que parto em casa, apesar de lindo, era algo muito arriscado e que eu precisava de equipamentos de reanimação neonatal ao meu lado. Decidi que queria que meu parto ocorresse em uma casa de parto, com enfermeiras obstétricas. Visitei com meu companheiro a Casa de Parto Sapopemba (opção mais próxima de casa entre as únicas duas disponíveis na cidade de São Paulo) e no primeiro momento gostamos bastante do que vimos. Porém, quando fiz o curso de preparação para o parto no GAMA (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa) fui informada que em Sapopemba havia risco de episiotomia (corte feito no períneo da mulher para "ajudar" a saída do bebê) e de credé (colírio aplicado no recém nascido na sua primeira hora de vida para prevenir conjuntivite gonorréica), ambos procedimentos violentos e desnecessários (para casais não portadores de gonorréia). Assim, eu deveria levar um termo de recusa. Mas até aí tudo bem. Ao mesmo tempo o curso me mostrou que o parto domiciliar não era realmente mais perigoso que o parto hospitalar. Que uma boa equipe teria total condição de me amparar, inclusive indicando o hospital caso isso fosse necessário. E que por fim o melhor lugar para parir é onde a parturiente se sente segura.

De qualquer forma para ser aceita em uma casa de parto, eu deveria ter o que é chamado de "gravidez lisa", isto é, baixo risco, sem nenhuma intercorrência. Mesmo assim, qualquer detalhe de última hora poderia fazer com que deixassem de me receber. Assim, eu e Jack (pai da minha pequena), resolvemos fazer uma visita guiada no Hospital São Luíz. Depois de ouvir da guia que eles davam banho logo após o nascimento "para tirar o cheiro de ovo do bebê", que o pai "poderia ficar ao lado durante o banho" e ver o berçário no meio de uma praça de alimentação saímos de lá convictos de que nem aquele, nem nenhum outro hospital, seriam o local onde a nossa Alice veria o mundo pela primeira vez.

Com 36 semanas de gestação fomos ao grupo de acolhimento da Casa de Parto Sapopemba. Logo de início a diretora deixou claro que uma parturiente que recusasse episiotomia não poderia ser lá aceita. Quando eu perguntei com relação ao colírio, esta afirmou, um tanto desconcertada, que também era obrigatório "porque nós somos do SUS". Quer dizer que a saúde pública ter que ter violência desnecessária, em nome de uma pseudo segurança no parto? E ainda não temos direito a decidir sobre nosso próprio corpo e o do nosso bebê? Saí de lá triste e desiludida, revoltada, com minhas aulas de Foucault martelando na cabeça.

Pronto, resolvido. Alice nasceria na nossa casa. Daríamos um jeito de pagar, e daríamos o nascimento mais digno para ela. E o parto mais digno para mim.

Foi uma correria. Parteiras, doula, banheira, kit parto domiciliar. Extensão de chuveirinho para encher a banheira, que ficaria no quarto da Alice. Eram muitos detalhes. Enquanto isso, minha barriga transbordava e descia. Com 37 semanas eu sentia choques nos quadris ao andar, e um feto hiperativo que não me deixava dormir a noite.

Resolvemos não contar nossa decisão para nossas famílias, pois eu estava bastante sensível e não queríamos lidar com as críticas, preconceitos e histeria que certamente viriam com a divulgação da nossa decisão. Para todos os efeitos Alice nasceria na casa de parto. Só que não foi tão simples.

Para além de ocultar a nossa decisão, nos vimos tendo que mentir em todos os almoços familiares a cada vez que nos perguntavam sobre o parto. E esse com o crescer da minha barriga foi se tornando o assunto principal. E mentir não é ok para mim. Sigo o princípio de satya há bastante tempo, e o fingir, mesmo com a melhor justificativa, me fez muito mal. Além disso, no caso específico da minha mãe e da minha irmã foi muito difícil não ter o apoio delas. É claro que eu não tinha dúvidas que parto domiciliar era a melhor escolha para mim, porém isso não significa que eu não tivesse medos e inseguranças. Da dor, de não dar conta quando chegasse a hora. E não poder dividir isso foi pesado.

Com 40 semanas, no quarto da Alice
No dia em que completei 40 semanas de gestação houve um entupimento enorme nos canos do meu apartamento e água de esgoto começou a sair pelos ralos. Entrei em pânico. Como poderia parir minha filha ali? Lembro de falar com a minha doula, a querida Anna Amorim e ela me dizer: "Júlia, não se preocupa! Nenhum bicho dá cria quando está ameaçado! Você só entrará em trabalho de parto quando tudo estiver bem!"

É, a gente é mais bicho do que a gente pensa. Hoje percebo nitidamente o esforço que o Homem faz para negar a natureza e se distanciar dela... a medicalização do parto mostra isso claramente. O problema é que essa negação da natureza distanciou a mulher da sua potência, colocando na mão do médico o papel principal do parto e anulando a capacidade que nasce junto com toda a mulher: dar à luz a seu bebê. Naquele momento parir em casa já havia se tornado um posicionamento político. Gastamos o que não tínhamos contratando uma desentupidora, e no mesmo dia estava tudo resolvido... mas Alice ainda não queria vir.

Com 40 semanas e 3 dias fomos à consulta com a Obstetra que fez o back-up do meu parto (caso eu precisasse de transferência para um hospital), Dra. Carolina Rossoni. Conversamos sobre data limite para parto sem indução e sobre as induções, caso fosse necessário. Descolamento de placenta, drogas, balão... não queria aquilo. Comecei a ficar nervosa. E a Dra. Carolina me alertou que justamente o que eu precisava para entrar em trabalho de parto era relaxar. "Se você estiver estressada, seu corpo vai inibir a produção de ocitocina, hormônio responsável pelas contrações". Ok. Saindo da consulta uma enxurrada de telefonemas. "Quando nasce?" "O que a médica falou?" "Quantos centímetros de dilatação?" AAAAAAHHHGGGGGG! Tudo oque eu não precisava, pressão e ansiedade por todos os lados. O Jack foi fantástico: criou um grupo de whatsapp com toda a minha família, mas sem mim. A partir de agora eles se reportariam a ele, não a mim, para tirar suas dúvidas.

Falei com as minhas parteiras. Recomendação: chá de canela, caminhadas e acupuntura com o maravilhoso Thomas. Era uma sexta-feira, eu estava com 40+4 (semanas+dias) e a Flora, madrinha da minha filha e minha mãe vieram almoçar na minha casa. A Flora, que sabia do parto domiciliar, chegou antes para conversar comigo. "Jú, acho que esconder o seu parto da sua mãe está te travando". Se ofereceu para contar para ela, longe de mim. "Assim eu seguro o impacto da reação dela e te garanto que depois ela vai ficar ao seu lado!" Topei. Durante aquele almoço comecei a sentir contrações, sem dor nenhuma, mas bem fortes. Sorria e tentava disfarçar a barriga com formatos esdrúxulos da minha mãe...

Na noite daquela sexta-feira de inverno fui à sessão de acupuntura com o Thomas. Falei para ele que queria que minha Alice viesse no tempo dela, sem ninguém apressar, mas que eu tinha receio de estar travando o processo por medo ou ansiedade. Ele foi lindo: colocou as agulhas muito mais focado em mim do que nela, me ajudando a me empoderar, ficar pronta e tranquila para receber minha filhota. Muitas, muitas contrações durante a sessão, mas ainda sem ritmo nem dor. Eu e Jack saímos do consultório animados. Fomos comer comida indiana, caminhamos do Paraíso até nossa casa, na Augusta. Não víamos a hora de conhecer nossa pequerucha...

Sábado, 40+5, e minha mãe um tanto histérica com a Virada Cultural (moro no centro). Querido Jack me ajudou a bloquear o estresse inconveniente, e fomos planejando o nosso dia juntos, atentos ao meu corpo. O chá de canela sempre na jarra para manter meu corpo quente, muito descanso, contrações ainda desritimadas e indolores e, no fim da tarde, uma peça de teatro do meu grupo querido. O diretor (por acaso padrinho da Alice) e os atores não acreditaram quando chegamos. "Você vai parir no meio da peça!" Risadas. Realmente as pessoas acham que parir é um passe de mágica, né?

Depois da peça resolvemos ir até a Praça da República ver um pouco a Virada. Estava frio, ventando muito e lembro de pensar que tinha que manter meu corpo quente... comprei um cachecol e fui comer um yakisoba em uma barraquinha. Na volta passamos em frente ao Edifício Itália. Jack me perguntou: "Já subiu no terraço?" "Não." "Vamos?" "É caro!" "Hoje é especial." Fomos. Tomei chá de camomila com baunilha e mel e o Jack uma Xingú. A noite tava linda e eu estava tão feliz, tão plena... relaxada.

Chegamos em casa umas 23h. Lembrei que a Anna tinha me falado para ler os relatos de parto na Anna Gallafrio, que teve os dois filhotes em casa com mais de 42 semanas. Li a carta que a Anna escreveu para Mattias, ainda na barriga, e comecei a chorar. E junto com o choro veio o enjoo. Achei estranho. Tive muita náusea no inicio da gravidez mas não esperava ela agora, aumentando cada vez mais. Mandei uma mensagem para as parteiras. "Confere produção?" Antes da resposta eu já havia colocado o yakisoba todo pra fora. A Anna perguntou se tinham contrações. Elas haviam parado... curioso. Tomei chá de camomila, o Jack me fez uma massagem, consegui dormir um pouco. Acordei 
vomitando mais. Fatia de pão. Vomitei. Água. Voltou também. Parei de comer e beber. Começou a sair bile. Os espasmos eram tão fortes que escapava xixi. Tive diarreia. Era como se de repente o meu corpo tivesse resolvido expulsar tudo o que tinha dentro dele...

Eram 3h40 da madrugada quando o Jack ligou para a Maíra Bittencourt, uma das parteiras. Fazia mais de 4h que eu vomitava. Eu ouvi a conversa com o balde na mão. Maíra continuava afirmando que sem contrações não era trabalho de parto. Culpou o yakisoba, que devia ter me dado uma intoxicação e me falou pra ir pro PS. NÃO! Eu queria ter minha filha em casa! Durante a conversa veio a primeira contração dolorida. Outra. Outra. Jack desligou o telefone e começamos a marcar o tempo. Era uma dor suportável. De 5 em 5 minutos. Jack foi ligar para a Anna e saiu do quarto para preparar a casa. Eu fiquei medindo as contrações... não acreditava ainda que realmente estava em trabalho de parto... que a hora tinha chego.

A partir daí não posso mais relatar horários e nem a exata ordem cronológica dos fatos. As forças que me tomaram e levaram são bastante distantes do intelecto e da razão. Eu diria que é um misto de sentimentos, sensações, intuição e  do instinto mais fundamental.

Lembro de ficar por algum tempo na bola de pilates controlando as contrações pelo aplicativo do celular. Lembro que em algum momento quando fui ao banheiro para mais diarreia saiu o tampão, cheio de sangue. Quando não aguentava mais a dor fui para debaixo do chuveiro. Lembro de ficar com medo da água acabar (estávamos no meio da crise hídrica) e pedir para o Jack acionar a bomba do prédio. A água quente ajudava mas na hora das contrações nada resolvia... não havia posição. Fiquei com medo de cair minha pressão... fazia muito tempo que eu não conseguia comer.

Quando a Anna chegou, umas 6h da manhã, eu estava sentada no sofá da sala, embrulhada em um cobertor. A cada contração eu caía no chão, de quatro, gritando. Tanto o Jack quanto a Anna tentaram massagem, mas não ajudava. Olhei para a Anna meio desesperada. "Eu não sei o que fazer com essa dor!" Ela docemente respondeu "Não briga com ela. Ela está a seu favor. Empurra ela pra baixo. Concentra. Respira." Procurei conduzir a dor. Anna colocou uma bolsa de água quente no meu quadril. Ajudou muito! Fiquei a partir desse momento sentada em samánásana, com as costas bem eretas e a bolsa quente entre meus quadris e o encosto do sofá. A cada onda de contração eu tentava mergulhar mais e mais para dentro de mim. Os gritos cessaram, passei a grunhir, rosnar, com a força de cada contração saindo pelos meus olhos.

Quando a Maíra chegou, umas 7h e fez o primeiro e único exame de toque de toda a gravidez, eu tinha 7 dedos de dilatação. Acho que as contrações estavam a cada 3 minutos, não tenho certeza, quem controlava era a Anna. Lembro de, em um surto de dor e cansaço olhar para a Anna e o Jack e soltar "que idéia estúpida!" A dor era forte, e tinha horas que eu não conseguia me manter focada. Eu tinha a sensação de que iria demorar muito mais... não lembro direito de quando a Bianca Zorzam, a outra parteira, chegou. Comecei a pedir para ir para a banheira e foi quando descobri que a pressão da água da minha casa era muito baixa e a banheira ainda não estava cheia o suficiente. O Jack corria com panelas de água quente para encher mais rápido. As contrações estavam realmente muito fortes, e a dor no quadril me rompia.

Quando fui ao banheiro para finalmente terminar de esvaziar meus intestinos resolvi que iria ver a banheira (que estava instalada no quarto da Alice). No caminho do banheiro para o quarto uma contração me fez cair no chão e o Jack me segurou. A banheira parecia suficientemente cheia, mas quando coloquei o pé estava escaldante (nossa, como fiquei brava!). Enquanto o Jack corria para pegar um balde de água fria outra contração me fez cair em cima da Bianca e... a bolsa estourou, quando começaram os puxos... Alice havia estourado a bolsa ao descer pelo canal!

Entramos finalmente na banheira, eu e Jack, que ficou atrás de mim. Foi mágico. Parei de sentir dor totalmente, relaxei. Na primeira força Alice coroou. Na segunda saiu metade da cabeça. Senti o tal anel de fogo... não doía, mas ardia e queimava. No final de cada força ela voltava pra dentro e e falava "não volta filha!" Na terceira força ela saíu inteira de uma vez. Por um segundo fiquei com medo da cabeça dela bater na banheira, mas em seguida a peguei e levei para o meu peito.



A primeira ação de Alice neste mundo foi tossir, em seguida esboçou um choro, mas ao encostar no meu coração olhou para mim e para o pai dela e... sorriu! Cantamos a música que a embalara na barriga por muitos meses: O descobrimento do Brasil. Jack chorou no meio, eu continuei.

Alice mamou na sua primeira hora de vida quase inteira, o cordão umbilical foi cortado mais de uma hora depois de seu nascimento. Nasceu no seu quarto, à luz de velas, aquecida pela sua mãe, seu pai e duas parteiras muito carinhosas que a tiraram de meus braços somente muito tempo depois (umas duas ou três horas?).

Agradeço imensamente à equipe da La Mare, minha parteiras queridas, à Anna, um anjo que me apareceu e à Janie Paula, que me ajudou a achar a minha equipe.

Hoje entendo o motivo pelo qual se define o Tantra como matriarcal e por isso sensorial. Há uma sabedoria no nosso corpo imensa que apenas acessamos totalmente no parto. Meu corpo continuou e continua se transformando na maternidade e posso afirmar que por ter podido vivenciar esse momento tão crucial de forma tão natural que sei o quanto somos potentes e poderosas. Após a Alice, o auto-conhecimento se impõe e cresce a cada dia... mas isso é assunto para outros posts.

sábado, 9 de abril de 2016

Sobre mim, este blog e novos tempos

Olá pessoas bonitas que me leem!

Muito tempo que não escrevo aqui um texto que não seja informações sobre aulas ou uma receita nova. No início desse projeto muitas reflexões sobre ética, Yoga e vida foram colocadas aqui e devo dizer que não estar mais escrevendo é algo que me entristeceu bastante.

Uma miríade de motivos fizeram com que isso acontecesse, entre eles se destaca a falta de tempo (grande monstro que assola nossa sociedade) - que para além do tempo físico engloba também o tempo psíquico e emocional - mas, para além dele, houveram transformações na minha vida demasiadamente profundas e radicais, difíceis de serem contempladas em um post.

Com todas essas mudanças, percebi que se tornou mandatório para mim que esse fosse um espaço de compartilhamento de experiências muito para além do Yoga. Sim, este é parte fundamental da minha vida e, como o prisma através do qual eu enxergo o mundo, posso encontra-lo em tudo o que faço. Porém depois da experiência da maternidade devo dizer que há reflexões que muitas vezes não vieram do Yoga mas que vejo como essenciais para que faça sentido para mim escrever. A vinda da minha filha mudou o mundo para mim e afeta a profissional que sou (quando meus alunos me leeem) e a yoginí que procuro ser (para praticantes que passam por aqui).

Assim, estou abrindo esse espaço para que todas as experiências formem um caleidoscópio ainda mais rico para ser compartilhado.

As receitas? Virão de tempos em tempos. Continuo amante do vegetarianismo e hoje cada vez mais próxima do veganismo.

A prática? Estará aqui, assim como a possibilidade de se tirar dúvidas sobre ela.

Cheguei a conclusão que quando falamos de Yoga a separação entre profissional e pessoal é praticamente impossível. E por isso teremos um cunho mais pessoal por aqui.

Eu adoraria que na internet houvesse cada vez mais conteúdo com sentido e profundidade, e sempre tentarei fazer a minha parte ;)

beijinhos e até o próximo texto! 

sexta-feira, 4 de março de 2016

Yoga com a Juju: confira os novos horários e venha experimentar!

Alô alô yogins e interessados!

Atendendo a pedidos teremos uma nova turma na Rua Augusta e um horário novo para a turma da turma da USP!

Assim os horários de pratica são:

=> Na Rua Augusta, 1378 (ap.14):

  • Segundas e quartas - 20h30
  • Terças e quintas - 8h
  • Quartas e sextas - 10h


=> Na USP:

  • Segundas e quartas - 11h45


Interessou? Venha fazer uma aula experimental sem compromisso e conheça a prática!

Marque agora pelo fone: (11) 99728-4666 (whatsapp)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Yôga em 2016 com força total!

Olá meus queridos!

Depois de quase 1 ano absorvida pelo começo da maternidade, volto a aparecer por aqui! Em 2015 um dos eventos mais importantes da minha vida - a chegada da minha pequena Alice - ocorreu, fazendo com que eu desacelerasse e diminuisse meu ritmo de trabalho. Em breve pretendo escrever um post sobre esse momento, que foi de intenso aprendizado :)



Agora em 2016 a Juju volta com força total!

No momento, as turmas em funcionamento são:


  • Segundas e quartas das 20h30 às 21h30 na Rua Augusta, 1378 - ap.14
  • Terças e quintas das 8h às 9h na Rua Augusta, 1378 - ap.14
  • Terças e quintas das 12h15 às 13h15 na USP


A idéia é neste ano expandimos as turmas, então se você tem interesse, mesmo que não possa em nenhum destes horários entre em contato e ganhe uma aula experimental!

Vamos fazer de 2016 um ano cheio de energia, equilíbrio, força e consciência!

terça-feira, 21 de abril de 2015

Bobó de cogumelo paris e abobrinha

Essa receita surgiu do jeito que eu mais gosto: olhei a geladeira, tive uma idéia doida, pesquisei várias receitas na internet para não seguir nenhuma e criar a minha. Vários ingredientes foram improvisados com o que eu tinha em casa, porém o resultado foi surpreendente!

Ingredientes:


  • 4 dentes de alho amassados
  • 1 cebola média picada
  • 4 colheres de azeite (se tiver de dendê, coloque metade que fica muito bom. Eu só tinha de oliva)
  • 1 pedaço médio de gengibre fresco picado
  • 10 pimentas biquinho frescas cortadas em 4
  • 3 tomates maduros picados (usei o orgânico)
  • molho de pimenta vermelha a gosto
  • 1 abobrinha pequena cortada em fatias grossas, cortadas em 4
  • 1/2 xícara da água que sobrou do cozimento da mandioca
  • 200g de cogumelos paris grandes frescos cortados em 4 (se forem pequenos corte em 2 ou use inteiros)
  • 500ml de purê de mandioca (explico abaixo como fazer)
  • 1/2 colher (chá) de páprica picante (se usar dendê não precisa)
  • 1/2 colher (chá) de cúrcuma (se usar dendê não precisa)
  • 150ml de leite de coco
  • 1/2 xícara de coentro fresco picado
  • sal a gosto (se você utilizar caldo de legumes já salgado, experimente antes de colocar)


Modo de preparar;


  1. Para o purê de mandioca: descasque de 3 a 4 pedaços grandes de mandioca, lave bem e corte-os no sentido do comprimento, retirando a fibra que há no meio. Em uma panela de pressão cubra a mandioca com caldo de legumes*, feche e cozinhe em fogo alto. Abaixe o fogo quando pegar pressão e cozinhe por 30 minutos. Desligue e  abra  a panela. verifique se a mandioca está desmanchando e se não estiver volte ao fogo por mais uns 5 minutos. Em um processador bata a mandioca com um pouco da água do seu cozimento até virar uma pasta lisa e homogênea. Rende até mais do que 500ml dependendo do tamanho dos pedaços. Pode ser guardado em geladeira, sendo utilizado para acompanhar outros pratos ou ainda em moquecas ou escondidinhos.
  2. Em uma panela grande e larga, aqueça o azeite e refogue o alho, a cebola e o gengibre, mexendo bem até dourar.
  3. Acrescente a pimenta piquinho e o molho de pimenta e misture por mais 2 minutos. 
  4. Junte o tomate, misturando bem. Abaixe o fogo, tampe a panela e deixe cozinhar por mais 3 minutos.
  5. Acrescente a abobrinha, os cogumelos, a páprica, a cúrcuma e a água da mandioca. Misture e tampe novamente a panela, deixando cozinhar por mais 5 minutos ou até a abobrinha estar macia, mas não desfazendo. Se necessário acrescente um pouco mais de água da mandioca.
  6. Junte então o purê e misture até ele se homoneneizar ao molho. Adicione o sal, provando. Deixe frever por mais 2 minutos.
  7. Coloque o leite de coco, misturando delicadamente. Veja a consistência. Caso esteja muito líquido deixe ferver em fogo alto com a panela destapada para reduzir até a consistência estar do seu agrado. Apague o fogo.
  8. Acrescente o coentro, misturando delicadamente e siva imediatamente.


Serve quatro pessoas, acompanhado de arroz branco e farofa (pode ser de dendê, de banana ou outra que você gostar). Nas receitas mais comuns há a adição de pimentão, que substituí por pimenta biquinho e fui bem feliz :-)

Bom apetite!

* Para fazer 1 litro de caldo de legumes caseiro, ferva 3 xícaras de talos e cascas de legumes (aproveite as partes que você geralmente jogaria fora) de sua preferência com 2 litros de água filtrada por 30 minutos. Coe e o caldo está pronto. Pode ser congelado por até 3 meses. Gosto muito de colocar salsão, pimentão, cebola e talos de salsinha. 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Aulão aberto de Feriado com piquenique!

Nesse mês de abril estamos nos deparando com muitos feriados. Para não perdermos o rítmo de práticas, na próxima terça-feira, 21 de abril vamos fazer uma aula especial na Parque Vila Lobos!

A aula terá duas horas de duração e será seguida de um piquenique. Todos os alunos, ex-alunos e interessados estão convidados para se encontrar com a gente no portão principal do parque às 12h50, para encontrarmos juntos um lugar à sombra próximo à pista de caminhada e depois confraternizarmos com comidinhas sem carne e bebidas sem alcool.

Data: 21/4
Horário: das 13h às 15h, seguido pelo piquenique
Local: encontro no portão principal do Parque Vila Lobos.


Venha com uma roupa confortável, um mat de Yôga, toalha ou canga e um quitute ou bebidinha para compartilhar!

Dúvidas e mais informações pelo fone (11) 99728-4666 ou em comentários aqui.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Feijoada vegetariana!

Eu nunca comi uma feijoada tradicional na minha vida, mas custo a acreditar que ela poderia ser melhor do que esta. Existem muitas versões de feijoada vegetariana por aí. Essa é a última que fiz, 100% vegana, muito gostosa, nutritiva e inacreditavelmente leve.

Ingredientes:

  • 250g de feijão preto deixado de molho na noite anterior
  • 1 folha de louro
  • 1/2 cabeça de alho bem picadinho
  • 1/2 maço de coentro fresco picado
  • 1 colher (chá) de pimenta com cominho em pó
  • 150g de abóbora japonesa cortada em cubos médios
  • 1 cenoura cortada em cubos médios
  • 100g de champignons em conserva grandes cortados em 4 pedaços
  • 70g de tofu defumado cortado em cubinhos pequenos
  • 1/4 de xícara de pasta de tomate (usei passata)
  • Dois fios de óleo
  • Sal a gosto


Modo de fazer:


  1. Troque a água do feijão e cozinhe-o em uma panela de pressão. Geralmente 10 min depois que pegar a pressão, em fogo baixo, está cozido (mas depende se você deixou de molho na água quente ou fria, quantas horas ficou de molho e etc).
  2. Em uma panela aqueça um fio de óleo. Junte metade do alho e deixe refogar por 1 minuto.
  3. Acrescente a cenoura, mexendo bem por 3 minutos. Se precisar coloque um pouco de água para não queimar.
  4. Junte a pasta de tomate, a abóbora, o champignon e o coentro. Adicione sal a gosto e mais um pouco de água. Deixe no fogo até os legumes estarem macios.
  5. Em outra panela  frite o louro no óleo. Quando ele mudar de cor adicione o restante do alho, refogando bem. Acrescente duas conchas do feijão e amasseo com uma colher de pau. Junte a pimenta com cominho e o tofu defumado e misture bem.
  6. Junte todos os ingredientes, misture bem e sirva.


Utilize as guarnições tradicionais da feijoada (couve refogada, arroz, farofa e salada de alface com laranja) ou use a sua criatividade. Na foto está acompanhada com arroz branquinho, catalonha refogada com pimenta, farofa de banana e lascas rústicas de batata  frita com curry. Rendeu duas refeições para a minha versão grávida foraz e para o meu namorado faminto.

Bom apetite!

sexta-feira, 6 de março de 2015

Yôga USP 2015 em funcionamento!

É, no Brasil o ano só começa mesmo depois do carnaval, e em 2015 parece que o mundo está engrenando apenas agora em março! As aulas de Swásthya Yôga na USP tiveram seu feliz reinício essa semana e confesso que já estava com saudades :)

Estamos no prédio das Ciências Sociais na FFLCH às terças e quintas, das 12h às 13h.

A turma ainda está em formação, então se você tem vontade ou curiosidade aproveite agora para fazer uma aula experimental e começarmos juntos 2015 com força, poder e energia!


Para maiores informações comente esse post, mande um e-mail para julia.calderoni@gmail.com, mande um whatsapp ou ligue para (11)99728-4666.