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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Paradigmas

No último sábado assisti, dentro de um curso, ao filme: "A questão dos paradigmas", baseado no livro 'A Estrutura das Revoluções Científicas' de Thomas Kuhn e distribuído no Brasil pela SIAMAR. Genial. 

Impressionante como deixamos de ver as oportunidades que muitas vezes aparecem diante do nosso nariz... relacionei imediatamente com os trabalhos do sociólogo Pierre Bourdieu, a quem fui apresentada recentemente e que trata de muitos conceitos que há muito trabalhamos na perspectiva do Yôga, tais como habitus (força de influência das egrégoras que forma a maneira do indivíduo ser no mundo, ou mais diretamente, no meu entendimento, os samskáras) e o que ele chama de universo de possíveis (estão aí os paradigmas), entre outros. Estou achando bastante interessante a perspectiva sociológica por ele proposta, mas a questão é que isso está longe de ser novidade. Eis Kuhn e DeRose para comprovarem o fato.

Sobre os paradigmas, recomendo a leitura do excelente texto escrito por Ricardo Martins Costa e publicado no Blog do DeRose. Claro e ao mesmo requintado!

Uma vez que tomamos consciência de que estamos condicionados a ver somente o que e como o nosso paradigma nos permite, temos alguma possibilidade - embora mesmo assim seja difícil - de sair dele. Citando Kimi Tomizaki: 'Todos temos pré-conceitos, é fato. Mas quando nos tornamos conscientes deles estes podem parar de dominar a nossa maneira de ser'.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Autenticidade: em extinção?

Essa semana ouvi do professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Jaime Cordeiro: 'criatividade é para poucos. Não é preciso ser criativo para ser bem-sucedido'. Nessa mesma aula lemos um texto onde era debatida a importância de se ter jogo de cintura e capacidade de improvisação no ambiente profissional, sendo esse traquejo muitas vezes mais importante do que a própria habilidade técnica e conhecimento específico para aquele campo. Pois bem, e aí? Improvisar sem ser criativo?

No contexto de renovação informacional cada vez mais acelerado em que vivemos é evidente que precisamos sim ser flexíveis e sabermos lidar com o imprevisto. Ditadura da criatividade? Não acho que seja isso também. Mas há que se ter, certamente, inteligência emocional e agilidade. O que sinto falta não é necessariamente de pessoas criativas, mais de mais autenticidade.

Hoje nada se cria, tudo se copia. E a cultura vai ficando cada vez mais rasa, com um monte de gente que sabe um pouco de tudo, mas nada aprofundado. Conhecimento de Internet. E olha, com isso não estou condenando a Wikipédia; como outra professora da FEUSP, Kimi Tomizaki, disse hoje e assino embaixo, é uma boa ferramenta de democratização do conhecimento. Mas não se pode parar nela.

Não é por acaso que não copio nenhum texto, nenhuma receita nesse blog. Posso, claro, fazer uma citação, mas gerar conteúdo vazio, que pode ser conseguido facilmente e de maneira idêntica, pra quê? Para mim isso é desonestidade. O que escrevo aqui sou EU. E o que considero uma contribuição profícua para a vida de quem me lê.

Escrevo esse post encerrando a reflexão do yama do mês - satya e aproveitando para fazer esse desabafo. A maioria das pessoas veste uma imagem que não lhe cabe, estando sempre em um conflito entre o que é e o que parece. É claro que precisamos de proteções e não há como se viver sem uma pitada de malícia. Melhor dizendo: precisamos sim ter leitura de ambiente e ser você mesmo não significa enfiar suas opiniões na goela dos outros à força. Mas a maioria está posicionada do lado oposto: há muita insegurança, medo de não se ser aceito.

Nos colocarmos de maneira pertinente e sermos nós mesmos, estando por inteiro nas relações - sejam essas profissionais ou afetivas - é a única maneira de deixar uma real contribuição para a sociedade.