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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Introspecção - também é importante!

A escritora deste blog está passando por uma fase bastante introspectiva. Revendo conceitos, mudando paradigmas, fazendo um balanço da vida.

Não, não abandonarei o blog. Gosto muito deste canal de comunicação que se estabeleceu. Mas talvez os posts sejam por um tempo mais escassos... adoraria que quem me acompanha me pedisse posts.

Em alguns momentos na vida precisamos parar para reavaliar nossa caminhada. Para onde ela está nos levando. Faz parte do processo de auto-conhecimento. No Hinduísmo a figura de Shiva Shankara representa bem isso: aquele que, olhando de longe, transcendeu a dualidade da existência - o Universo de Maya. E do alto do Monte Kailash pode olhar a sociedade como quem está de fora. A figura do Eremita.

Platão fala algo parecido sobre o artista: aquele que anda à margem da sociedade e, por não estar totalmente inserido nela pode ter um olhar crítico e através da sua arte revelar as mazelas que adoecem essa sociedade.

É isso. Tem um vídeo-poesia que fiz para o curso de Pedagogia da USP que fala sobre essa caminhada; tentei nas últimas semanas postar aqui mas por algum motivo o blogger não aceitou. Vou resolver e espero poder compartilhar em breve.

Coloco para terminar o link para um texto que provavelmente muitos conhecem, acabou ficando popular na internet, mas que não deixa de ser profundamente pertinente. Fala sobre se acomodar. Sobre se acostumar com tudo o que não se deve acostumar.. parabéns pelas palavras sempre inspiradoras, Marina Colasanti!

Um abraço a todos e espero (sempre!) comentários para podermos trocar.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

O velho tema do Guru picareta...

No último final de semana  resolvi celebrar o cinema nacional assistindo à última comédia de Hugo Carvana (diretor dos ótimos Vai Trabalhar Vagabundo e Se Segura Malandro) Não se preocupe, nada vai dar certo! com Tarcísio Meira. Confesso que, apesar da canastrice do protagonista dei boas risadas e pude desfrutar da ótima atuação de Gregório Duvivier, encarnando o filho do primeiro. O filme é leve e despretencioso, nada profundo, mas cumpre o que promete: uma sessão de entretenimento. Esperava mais por conhecer os outros trabalhos do diretor, mas a música de Edu Lobo ao final salvou a pátria.

Uma questão ficou para mim no entanto: na história narrada a personagem Lalau Velasco (Gregório Duvivier) se faz passar pelo Guru Bob Savananda, papa transcedental esteriotipado que ganha milhões falando asneiras revestidas de oriente. Lembrei na hora do longa O Guru do Sexo, que trabalha muito melhor semelhante tema. Afinal, a imagem do Guru é realmente distorcida no ocidente, dando margem para o ícone repetidamente explorado nas telas. Uma pena.

Em hindi - uma das linguas oficiais da Índia, derivada do sânscrito - a palavra Guru significa literalmente "aquele que tira das trevas" e designa todo o tipo de professor; seja de música, matemática, filosofia ou qualquer outra coisa. Existe sim tanto na cultura indiana como em outros países do oriente como o Japão uma valorização, que considero muito bonita, desta personagem social: os professores, por possuirem o importante papel de transmissão do conhecimento, tem grande status social e são 'cuidados' pela sociedade: todos os respeitam e preservam. Como seria bom se assim fosse em nossa sociedade!

No século XX a cultura indiana se tornou pop: de repente os Beatles cantavam Jay Guru Dêva ÔM e a Madona executava ásanas no palco. Isso gerou uma onda frenética de turistas para esse país que buscavam redenção, espiritualidade, transcendência. A Índia, miserável após séculos e séculos de invasões, exploração e depois colonização não deixou de aproveitar o surto: a expressão "pra inglês ver" surge daí. O que é vendido para o ocidente muitas vezes é apenas o que os turistas cheios de dólares desejam encontrar - o esteriótipo - e a cultura propriamente dita na maioria das vezes é preservada de olhares estrangeiros. Não os culpo, mas está aí a origem do Guru picareta e aproveitador que se formou no nosso imaginário. Eu, como guru que sou fico triste... ensinar é algo tão lindo e edificante... seria bom se o ocidente pudesse absorver outras coisas da terra do sol nascente!