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sábado, 15 de outubro de 2011

Feliz dia do professor!

A etimologia da palavra sânscrita guru é: "aquele que afasta das trevas". Infelizmente no ocidente essa profissão e função social é hoje desvalorizada, paradoxalmente ao fato de se apostar o futuro da humanidade na educação. No oriente as coisas são um pouco diferentes: leia mais em no post sobre o esteriótipo de 'Guru'.

No dia de hoje podemos voltar mais nossa atenção a essa figura tão fundamental na sociedade contemporânea, com a qual todos nós temos uma relação -seja de admiração, seja de desprezo. Mesmo com condições de trabalho inadequadas, autoridade questionada o tempo todo e salários insuficientes temos uma legião de professores se formando todos os anos. Guerreiros e visionários, espero que vocês não desistam desse sonho de construir um mundo melhor através da essencial tarefa de transmitir conhecimento e aguçar a inteligência de seus alunos.

E que se reencontre a posição de respeito que merecemos. Para isso, é necessário uma reforma paradigmática na mentalidade ocidental. Impossível? Se não fizermos nada, com certeza!

Jaya Guru Shiva, Guru Harê, Guru Ram,
Jagat Guru, param Guru, Sat Guru Sham.
ÔM Ády Guru, Adwaita Guru, Ánanda Guru ÔM
Chit Guru, Chitgana Guru, Chinmaya Guru ÔM.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O velho tema do Guru picareta...

No último final de semana  resolvi celebrar o cinema nacional assistindo à última comédia de Hugo Carvana (diretor dos ótimos Vai Trabalhar Vagabundo e Se Segura Malandro) Não se preocupe, nada vai dar certo! com Tarcísio Meira. Confesso que, apesar da canastrice do protagonista dei boas risadas e pude desfrutar da ótima atuação de Gregório Duvivier, encarnando o filho do primeiro. O filme é leve e despretencioso, nada profundo, mas cumpre o que promete: uma sessão de entretenimento. Esperava mais por conhecer os outros trabalhos do diretor, mas a música de Edu Lobo ao final salvou a pátria.

Uma questão ficou para mim no entanto: na história narrada a personagem Lalau Velasco (Gregório Duvivier) se faz passar pelo Guru Bob Savananda, papa transcedental esteriotipado que ganha milhões falando asneiras revestidas de oriente. Lembrei na hora do longa O Guru do Sexo, que trabalha muito melhor semelhante tema. Afinal, a imagem do Guru é realmente distorcida no ocidente, dando margem para o ícone repetidamente explorado nas telas. Uma pena.

Em hindi - uma das linguas oficiais da Índia, derivada do sânscrito - a palavra Guru significa literalmente "aquele que tira das trevas" e designa todo o tipo de professor; seja de música, matemática, filosofia ou qualquer outra coisa. Existe sim tanto na cultura indiana como em outros países do oriente como o Japão uma valorização, que considero muito bonita, desta personagem social: os professores, por possuirem o importante papel de transmissão do conhecimento, tem grande status social e são 'cuidados' pela sociedade: todos os respeitam e preservam. Como seria bom se assim fosse em nossa sociedade!

No século XX a cultura indiana se tornou pop: de repente os Beatles cantavam Jay Guru Dêva ÔM e a Madona executava ásanas no palco. Isso gerou uma onda frenética de turistas para esse país que buscavam redenção, espiritualidade, transcendência. A Índia, miserável após séculos e séculos de invasões, exploração e depois colonização não deixou de aproveitar o surto: a expressão "pra inglês ver" surge daí. O que é vendido para o ocidente muitas vezes é apenas o que os turistas cheios de dólares desejam encontrar - o esteriótipo - e a cultura propriamente dita na maioria das vezes é preservada de olhares estrangeiros. Não os culpo, mas está aí a origem do Guru picareta e aproveitador que se formou no nosso imaginário. Eu, como guru que sou fico triste... ensinar é algo tão lindo e edificante... seria bom se o ocidente pudesse absorver outras coisas da terra do sol nascente!