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domingo, 21 de abril de 2013

Uma prática heterodoxa


Elaborei para meus alunos da USP um guia para uma prática heterodoxa de Swásthya e compartilho abaixo com todos.

Atenção: Essa prática não possui nível avançado, porém foi pensada para praticantes que já possuem alguma intimidade com as técnicas. Se você não entende-la, pergunte antes de fazer! Não é recomendada para quem nunca praticou.


Prática de Swásthya Yôga

1.      
Mudrá: Todos sentados, mãos em shiva mudrá, pernas cruzadas na polaridade correta. Olhos fechados.
Passe as mãos para o prônam mudrá, levando as palmas uma a outra e
ambas à frente do peito. Mantenha os olhos fechados. Faça uma série de respirações profundas e visualize um anel de luz dourada que circula entre seus braços e seu tronco, na altura do coração, girando da esquerda para a direita. A cada inspiração esse anel se torna mais brilhante, e a cada expiração essa luz se expande, projetando-se pelos poros para o ar ao seu redor. Pouco a pouco envolvendo todo o seu corpo em uma redoma de luz. Faça uma última inspiração muito profunda, visualizando todo os seu corpo brilhando em dourado e ao expirar essa luz emana por todo o ambiente, tomando conta da sala. Leve a atenção para as mãos e a partir destas para dentro do corpo. Aquiete-se.

2.      
Pránáyáma: Leve as mãos ao jñána mudrá, tocando indicadores e polegares e pousando-as sobre os joelhos.
Faça a respiração abdominal ou completa (para quem souber), utilizando o ritmo 1-2-1, isto é: inspire contando o tempo, segure com os pulmões cheios o dobro desse tempo e solte o ar no mesmo tempo que levou para inspirar. Quem conhecer agregue os bandhas – compressões de plexos e glândulas ao pránáyáma. Mantenha a técnica por 5 minutos.

3.       Kriyá: Faça as contrações abdominais. Que já estiver treinando o nauli (isolamento e giro do grande reto abdominal) pode faze-lo. 4 ciclos para cada aluno.

4.       Ásana: Lembre-se durante toda a sequência das regras gerais de respiração, localização da consciência, compensação e segurança. Chegue sempre ao ponto máximo de cada posição apenas no último ciclo respiratório. Tempo médio: 1 minuto por ásana. Não foi possível colocar fotos para todos os ásanas, mas se estes forem procurados pelo nome serão facilmente encontrados..
·    Sukha Vrikshásana (procure subir o calcanhar até o alto da coxa, na virilha mesmo).
Ardha pakshásana
·     Ardha pakshásana, os mais avançados podem tentar fazer a variação rája, segurando com a mão no pé que está elevado e estendendo o joelho.
·    Trikônásana (cuidado para não deslocar os quadris!)
·    Utkásana (não esqueça que não pode tirar os calcanhares do chão!).
·   Vajrôliásana (mentalização de laranja na parte do corpo mais solicitada)
Sushumnásana
· Sushumnásana (toque a testa nos joelhos, deixe o ritmo cardio-respiratório se normalizar).
·    Supta mêrudandásana (quanto mais devagar descer, melhor ;-))
·   Êkapáda chálanásana (os alunos podem escolher entre fazer com ambos os joelhos estendidos ou com o joelho da perna que está torcendo flexionado).
·    Vire de barriga para baixo.
Mahá bhujángásana
·   Bhujángásana (cuidado com a lombar, sempre contraia os glúteos. Quem tiver dor, faça a variação ardha, com os antebraços no chão. Para quem estiver fácil, flexione os joelhos, tentando tocar com os pés na cabeça).
·     Yôgásana (descanse...)
passagem: rajas vajra-samakônásana
·  Rajas vajra-samakônásana (cada um faz o que conseguir. Desafio da aula! Os alunos mais antigos ajudam os mais novos).
·   Paschimottanásana (2 minutos de permanência, respiração abdominal com ritmo 1-0-2, no final procure chegar com a cabeça no joelho).
·  Prática livre
·  Invertida (aquela que estiver treinando).


5.       Meditação: Todos sentados na posição do início da prática, com as mão em shiva mudrá. Olhos fechados. Leve a atenção para a sua respiração. Quando você inspirar, mentalize o som SO e quando soltar o ar mentalize o som HAM: SSSSSOOOO.....HHHAAAMMM... concentre-se totalmente nesse som e não pense em mais nada. 3 minutos de duração.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Um gesto vale mais que mil palavras

Nesta última semana dei para uma de minhas turmas aulas especiais sobre mudrás. Fazia algum tempo que eu não dava enfoque neste anga e foi tão gostoso passar esse conhecimento e me ater por mais tempo aos gestos feitos com as mão que acabei por dar a mesma ênfase na minha prática pessoal em casa.

Não ficarei neste texto explicando o básico sobre mudrás, pois existem muitos bons textos pela internet fazendo isso. Dentre eles, recomendo o do Blog da Eveline Baldan que além de uma excelente explicação possui imagens muito boas, o próprio texto da Wikipédia, que coloca a descrição de forma mais histórica e abrangente, e mesmo o do Saindo da Matrix, que traz informações curiosas, apesar das imagens pessoalmente não me agradarem.

Realmente, é no mínimo curioso que algumas pessoas se mostrem tão céticas quando falamos em magnetismo nas mão ou reflexologia, sendo que essas mesmas pessoas aceitam a acupuntura com naturalidade. Ora, a acupuntura se baseia nas conexões entre meridianos energéticos - que no Yôga chamamos de nadís - a partir de pontos onde a energia se concentra - o que no Yôga chamamos de chakras.

Não por acaso, o magnetismo dos mudrás provém exatamente do fato de que em cada palma da mão possuímos cerca de 35 chakras que, conectados de diferentes formas, farão com que a nossa energia circule de formas diferentes e produza efeitos diversos. Simples assim.

Talvez alguém ainda me fale: puro efeito da sugestão, é tudo emocional! Bem, tudo não, mas concordo que as emoções podem emergir de uma vivência de mudrás. Faça o teste com um dos mudrás mais conhecidos e reproduzidos do planeta: una as palmas de suas mão uma a outra e coloque ambas à frente do peito (não precisa pressionar as mão contra o peito!). Feche os olhos e observe:
  1. As sensações físicas, nas mãos e no resto do corpo;
  2. Se você sente algum tipo de emoção específica;
  3. Se você sente alguma vontade específica;
Esse gesto é chamado no Yôga de prônam mudrá, e está presente nas mais diversas culturas, muitas vezes com significados diferentes. Surgiu em tantos lugares do mundo muitas sem que houvesse comunicação estre esses. Porquê será? Como podemos explicar que existam gestos intuitivos ao ser humano, praticamente universais, sem pensar que há algo especial nos toques das mãos (seja no nível simbólico ou energético) que fazem esses gestos existirem?

Para aqueles que ficaram curiosos e gostariam de conhecer alguns mudrás, além das referências que eu citei acima, recomendo os vídeos feitos pelo Marco Carvalho, que mostra de forma bastante didática como fazê-los.