quarta-feira, 8 de maio de 2013

Torta vegana de damascos frescos sem glúten

Esta foi uma adaptação da receita de torta de banana da eco chef Martha Tatini. Fiz a receita da Martha uma vez por curiosidade, pois achei bem diferente uma torta sem farinha, que leva arroz cozido na massa. Ficou fantástica e meus alunos me encomendaram outra para o nosso grupo de metalização (Sat Chakra). Como não encontrei bananas maduras resolvi usar a criatividade!

Ingredientes:
  • 1/2 copo de óleo de canola
  • 1/2 copo de leite de arroz (pode substituir por outro leite vegetal. Na receita original há a opção com leite de coco)
  • 1/2 copo de amêndoas cruas hidratadas por pelo menos 12h e lavadas
  • 2 copos de arroz integral cozido sem sal
  • 1 copo de açúcar mascavo
  • 8 damascos frescos maduros descascados e sem caroços
  • 1/2 limão
  • 3 cravos (opcional)
  • 1 colher (café) de essência de baunilha
  • 1 colher (sobremesa) de fermento químico
  • noz moscada e canela em pó a gosto

Modo de preparo:

No liquidificador junte todos os ingredientes menos o arroz, os damascos, o limão e o fermento. Bata até ficar homogêneo e vá acrescentando então o arroz e 6 damascos aos poucos. Depois que tiver formado uma massa homogênea acrescente o fermento e bata mais um pouco, apenas o suficiente para mistura-lo.

Unte uma forma redonda com fundo falso com farinha de arroz ou fubá. Despeje a mistura na forma. Fatie os dois damascos que sobraram, esprema limão sobre eles e polvilhe canela. Coloque as fatias sobre a torta, decorando-a da forma que quiser (eu fiz as lâminas bem finas e cobri toda a torta). Leve ao forno pré-aquecido a 200 graus por 50-60 minutos. Ela vai ficar cremosa no meio, é normal. Se quiser que fique mais firme, leve ao congelador depois de pronta.

Rende cerca de 8 fatias de uma torta leve e muito saborosa.

Bom apetite!

domingo, 21 de abril de 2013

Uma prática heterodoxa


Elaborei para meus alunos da USP um guia para uma prática heterodoxa de Swásthya e compartilho abaixo com todos.

Atenção: Essa prática não possui nível avançado, porém foi pensada para praticantes que já possuem alguma intimidade com as técnicas. Se você não entende-la, pergunte antes de fazer! Não é recomendada para quem nunca praticou.


Prática de Swásthya Yôga

1.      
Mudrá: Todos sentados, mãos em shiva mudrá, pernas cruzadas na polaridade correta. Olhos fechados.
Passe as mãos para o prônam mudrá, levando as palmas uma a outra e
ambas à frente do peito. Mantenha os olhos fechados. Faça uma série de respirações profundas e visualize um anel de luz dourada que circula entre seus braços e seu tronco, na altura do coração, girando da esquerda para a direita. A cada inspiração esse anel se torna mais brilhante, e a cada expiração essa luz se expande, projetando-se pelos poros para o ar ao seu redor. Pouco a pouco envolvendo todo o seu corpo em uma redoma de luz. Faça uma última inspiração muito profunda, visualizando todo os seu corpo brilhando em dourado e ao expirar essa luz emana por todo o ambiente, tomando conta da sala. Leve a atenção para as mãos e a partir destas para dentro do corpo. Aquiete-se.

2.      
Pránáyáma: Leve as mãos ao jñána mudrá, tocando indicadores e polegares e pousando-as sobre os joelhos.
Faça a respiração abdominal ou completa (para quem souber), utilizando o ritmo 1-2-1, isto é: inspire contando o tempo, segure com os pulmões cheios o dobro desse tempo e solte o ar no mesmo tempo que levou para inspirar. Quem conhecer agregue os bandhas – compressões de plexos e glândulas ao pránáyáma. Mantenha a técnica por 5 minutos.

3.       Kriyá: Faça as contrações abdominais. Que já estiver treinando o nauli (isolamento e giro do grande reto abdominal) pode faze-lo. 4 ciclos para cada aluno.

4.       Ásana: Lembre-se durante toda a sequência das regras gerais de respiração, localização da consciência, compensação e segurança. Chegue sempre ao ponto máximo de cada posição apenas no último ciclo respiratório. Tempo médio: 1 minuto por ásana. Não foi possível colocar fotos para todos os ásanas, mas se estes forem procurados pelo nome serão facilmente encontrados..
·    Sukha Vrikshásana (procure subir o calcanhar até o alto da coxa, na virilha mesmo).
Ardha pakshásana
·     Ardha pakshásana, os mais avançados podem tentar fazer a variação rája, segurando com a mão no pé que está elevado e estendendo o joelho.
·    Trikônásana (cuidado para não deslocar os quadris!)
·    Utkásana (não esqueça que não pode tirar os calcanhares do chão!).
·   Vajrôliásana (mentalização de laranja na parte do corpo mais solicitada)
Sushumnásana
· Sushumnásana (toque a testa nos joelhos, deixe o ritmo cardio-respiratório se normalizar).
·    Supta mêrudandásana (quanto mais devagar descer, melhor ;-))
·   Êkapáda chálanásana (os alunos podem escolher entre fazer com ambos os joelhos estendidos ou com o joelho da perna que está torcendo flexionado).
·    Vire de barriga para baixo.
Mahá bhujángásana
·   Bhujángásana (cuidado com a lombar, sempre contraia os glúteos. Quem tiver dor, faça a variação ardha, com os antebraços no chão. Para quem estiver fácil, flexione os joelhos, tentando tocar com os pés na cabeça).
·     Yôgásana (descanse...)
passagem: rajas vajra-samakônásana
·  Rajas vajra-samakônásana (cada um faz o que conseguir. Desafio da aula! Os alunos mais antigos ajudam os mais novos).
·   Paschimottanásana (2 minutos de permanência, respiração abdominal com ritmo 1-0-2, no final procure chegar com a cabeça no joelho).
·  Prática livre
·  Invertida (aquela que estiver treinando).


5.       Meditação: Todos sentados na posição do início da prática, com as mão em shiva mudrá. Olhos fechados. Leve a atenção para a sua respiração. Quando você inspirar, mentalize o som SO e quando soltar o ar mentalize o som HAM: SSSSSOOOO.....HHHAAAMMM... concentre-se totalmente nesse som e não pense em mais nada. 3 minutos de duração.

terça-feira, 12 de março de 2013

Bolo vegano de coco com calda de ameixas frescas

Esse bolo delicioso é do livro "O Gourmet Vegetariano", de Rosângela de Castro. É super fácil de fazer, não precisa nem de batedeira. Eu diminuí o açúcar da receita original, pra variar, e deu certo. Já fiz várias vezes, e sempre é um sucesso!

Ingredientes:
  • A carne de 1 coco maduro
  • 2 xícaras de suco de laranja
  • 2 xícaras de farinha de trigo comum
  • 1 xícara de farelo de trigo
  • 2 xícaras de açúcar cristal ou mascavo
  • 3/4 de xícara de óleo (uso sempre canola)
  • 1/2 colher (chá) de bicarbonato de sódio
  • 2 colheres (chá) de fermento em pó
  • 250g de ameixas frescas pretas
  • canela e açúcar para temperar a calda
Modo de fazer:
  1. Bata o coco picado com o suco de laranja no liquidificador. Não moa demais, deixe alguns pedaços.
  2. Em uma vasilha grande misture as farinhas, o açúcar e o óleo.
  3. Dissolva o fermento e o bicarbonato na mistura de coco e laranja e acrescente-os à massa. Bata bem até que a mistura fique homogênea.
  4. Unte e enfarinhe uma forma média. Despeje a massa.
  5. Leve ao forno em temperatura média por 50-60 minutos.
  6. Para a cobertura: leve as ameixas ao fogo em uma panela pequena, cobertas com água, e deixe ferver até que fiquem macias. Quando esfriarem, retire os caroços e bata-as no liquidificador com a água do cozimento, um pouco de açúcar e canela. Deve ficar com a consistência cremosa.
  7. Despeje por cima do bolo quando este já estiver frio.
Bom apetite!

segunda-feira, 11 de março de 2013

Sobre o embrutecimento

Li hoje um artigo no blog do Sakamoto sobre o atropelamento do ciclista David na Av. Paulista, ocorrido no último domingo. É muito triste, mas concordo plenamente com o artigo: um acontecimento como esse não nos choca mais realmente. No fundo é mais um dos ocorridos cotidianos da nossa tão "pacífica" e "civilizada" cidade. No fundo estamos acostumados. Dessensibilizados. Embrutecidos.

E para viver nesse contexto que nos cerca precisamos estar? Me pergunto onde cabe o nosso horror, nossa fragilidade... nossa sensibilidade nesse mundo, nessa cidade onde vivemos. É quase questão de sobrevivência naturalizar o horror, pois se não este nos seria insuportável.

É verdade, houve manifestações por parte dos ciclistas, brados por justiça... que bom que houve, como também me deixou feliz no sábado ter ocorrido o ato de repúdio ao deputado Marcos Feliciano com tantos participantes. Isso mostra que, em algum nível, a sociedade quer lutar pelos seus direitos e não permanece calada. Ao mesmo tempo algo em mim acha tudo isso pouco. Podem, e provavelmente irão  acontecer agressões correlatas a essas duas (pois para mim a posse do dep. Marcos Feliciano é uma  agressão a qualquer um que luta pelos Direitos Humanos, além de uma grande piada de mal gosto, onde todos nós somos os palhaços). Tinha que ser intolerável.

Talvez apenas se não existisse São Paulo, essa 'não-cidade', como disse Sakamoto. Talvez eu, de tradição tântrica - sensorial e desrepressora tenha que sair daqui para conseguir deixar de me sentir eternamente oprimida por essa realidade.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Yôga Sútra: I-16 e I-17

Mais dois sútras para o nosso estudo, segundo o Samádhi PádaH. Se você caiu de paraquedas nesse post e não sabe do que eu estou falando, veja o primeiro post da série deste estudo e siga a sequência antes de voltar para cá.



Falamos de abhyása e vairágya como forma de controlar os vRittis nos sútras anteriores. Aqui Pátañjali nos coloca o resultado da aplicação destas duas condutas: com a prática diligente e ao mesmo tempo com desprendimento eleva-se a consciência de forma tal que os gunas cessam, atingindo-se assim um dos tipos de samádhi. Já estamos falando aqui de hiperconsciência, a meta do Yôga!

É claro que a manutenção de abhyása e vairágya não são fáceis de se obter, e estas precisam ser mantidas por um bom período de tempo. Lembrando sempre que o Yôga Sútra pertence a um contexto bem diferente do nosso: estamos falando da Índia do século III d.C.. A relação com o tempo naquela sociedade certamente diverge da nossa. De qualquer forma pode não ser fácil, mas para Pátañjali é bastante simples atingir o samádhi.

E pensar que muitos professores modernos que se nomeiam continuadores do Yôga Clássico passam aos seus alunos a idéia de que o samádhi é algo inalcançável, para poucos...

Estudem bem os dois sutras propostos, que em breve chegam outros!

terça-feira, 5 de março de 2013

Swásthya Yôga na USP está voltando de férias!

E as aulas de Swásthya na USP estão de volta! Terças e quintas continuaremos na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, no prédio das Ciências Sociais às 12h e nas quartas e sextas começaremos o ano na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo às 12h15, com a possibilidade de irmos para a Faculdade de Economia e Administração.

Nesta semana haverão aulas abertas para todos os que quiserem conhecer o nosso trabalho!

  • Quinta-feira, 7 de março às 12h na FFLCH (encontro no saguão das Sociais)
  • Sexta-feira, 8 de março às 12h15 na FAU (encontro na frente do Estúdio 3)
Quem desejar saber mais informações, deixe um comentário nesse post, mande um e-mail para julia.calderoni@gmail.com ou ligue para (11) 99728-4666.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Chai: o famoso chá indiano

Essa receita é super tradicional na Índia e hoje está difundida pelos quatro cantos do planeta, tendo muitas vezes ganhado novas roupagens. A pedidos, estou passando aqui a variação que me foi ensinada... sei que a receita original é com chá preto e açúcar branco. De resto, vai depender da região e do gosto pessoal de cada um.

Ingredientes:
  • 1 litro de água
  • 1 raiz de gengibre média ralada com casca e tudo
  • 1/2 xícara de açúcar
  • 2 ramos médios de canela
  • 5 sementes de cardamomo maceradas
  • 3 colheres de sopa de leite em pó integral
  • 1 colher de sopa rasa (se for a granel) de chá preto de boa qualidade ou 2 saquinhos.

Modo de fazer:
  1. Coloque a água para ferver.
  2. Em uma panela média leve o açúcar e a canela ao fogo brando e deixe formar um caramelo, mexendo sempre para não queimar. O ideal é que a rama de canela se abra, liberando mais sabor. Para isso acontecer sem queimar o açúcar o fogo deve estar bem baixo.
  3. Adicione o gengibre ralado e o cardamomo macerado. Mexa bem. (Quanto mais nova for a raíz do gengibre, mais forte irá ficar. Quanto ao cardamomo, você pode encontra-lo em casas árabes, Empório Santa Luzia, Zona Cerealista ou no Mercado Municipal. Da pra fazer a receita sem ele, mas perde um toque especial.)
  4.  Acrescente quase toda a água fervente, guardando apenas cerca de meia xícara para dissolver o leite em pó. Deixe a mistura ferver por 5 minutos.
  5. Enquanto a mistura ferve, dissolva completamente o leite em pó no restante de água, tomando cuidado para não deixar nenhuma pelota. (Aprendi a fazer o chai com leite Ninho, que é bem integral e seria mais próximo do leite não processado, tirado direto da vaca em algumas regiões da Índia. Na verdade não é obrigatório, mas o Ninho dá uma cremosidade gostosa à bebida.)
  6. Junte então o leite à infusão, mexa por um minuto e desligue o fogo. O ideal é que o leite não chegue a ferver.
  7. Adicione então o chá preto, deixando-o em infusão por 2 minutos e então coe a mistura. Não é preconceito, mas as marcas nacionais de chá preto são de qualidade bastante inferior, e se você dispuser de um verdadeiro Breakfast Tea ou Earl Grey Tea vai fazer toda a diferença! Se optar usar o chá a granel você precisará de um coador de estopa ou pano (não pode ser de papel, pois tem que mexer), e o ideal é que tenha a mão também um funil, para conseguir acomodar o chai em uma garrafa térmica. Se não der para fazer isso tudo, utilize o chá em saquinhos mesmo, e depois precisará somente de uma peneira para coar (o funil continua sendo uma dica válida). DEIXE O CHÁ PRETO APENAS 2 MINUTOS ANTES DE COAR, COM A PANELA JÁ FORA DO FOGO, SE NÃO O CHAI IRÁ AMARGAR!
  8. Experimente. É possível acrescentar mais açúcar e/ou leite, dependendo do que você quer corrigir. Para ambos os casos, adicione a uma xícara do chai o açúcar ou o leite em pó na quantidade desejada, dissolva bem e retorne essa xícara à garrafa térmica ou bule que estiver utilizando para servir.
Está pronto! Rende um litro de bebida, que pode acompanhar biscoitos, torradas ou um bolo. É extremamente estimulante e ótimo para a garganta. Se não for consumir toda a receita em no máximo 6 horas, mantenha em geladeira, reaquecendo na hora de servir, pois se não o leite pode coalhar.

Bom apetite!