domingo, 18 de novembro de 2012

Mudança de foco

Quando fiz esse blog, tinha a intenção de manter uma comunicação quase diária com meus alunos e todos os interessados em Yôga, arte e educação. Os primeiros dez meses seriam destinados a uma imersão crítica nos yamas e niyamas do Yôga, sendo cada mês destinado a um deles para que se pudesse mergulhar mais profundamente na reflexão de se e como podemos aplicar estas diretrizes éticas nas nossas vidas, se elas fazem sentido no século XXI, na sociedade capitalista ocidental.

Bem, talvez eu tenha sido um pouco ingênua, imaginando que houvesse uma manifestação maciça de comentários em todos os posts sempre e que o debate - que pra mim é tão fundamental e interessante - naturalmente atrairia um publico. Errei e acertei ao mesmo tempo. Errei ao pensar que quem lê sempre se manifesta - pelo contrário, na maioria das vezes não - mas acertei quanto ao fato de haver pessoas interessadas nesse fórum sobre uma revisão e questionamento da vida e do Yôga na vida. Me equivoquei também no que se refere ao número e a rapidez da repercussão do meu trabalho - este onde divulgo apenas no meu site, no meu facebook e entre meus alunos.

Assim, com o passar do tempo e o surgimento de muitos projetos na vida real, fui deixando essa plataforma virtual para segundo plano, confesso que um pouco desestimulada pela pouca repercussão do blog - afinal 12mil visitas em 14 meses para internet é considerado pouco. Foi então que hoje, ao abrir meu email, recebi o comentário de Francisco Barreto.

Francisco, quero lhe agradecer. Seu comentário me motivou a escrever esse post e com ele mudar um pouco o foco deste blog: esse espaço continuará existindo e será por mim alimentado de reflexões e informações (as primeiras mais importantes que as segundas, afinal, na era da informação qualquer Wikipédia resolve seu problema. A questão é o que fazemos com tanta informação disponível...) não somente sobre o Yôga em si, mas a respeito de tudo o que o circunda - isto é, sobre o ser humano e sua relação com o sigo e com o mundo.

A periodicidade, entretanto, será variada: se houverem pedidos de posts, perguntas ou acontecimentos que suscitem debate e discussão, mais posts serão feitos. Se não, menos posts. As receitas continuarão sendo postadas de tempos em tempos e de vez em quando alguma reflexão minha e avisos de encontros, horários novos de aulas e etc. Agora, a prioridade está nos encontros de Yôga que eu promovo, na prática, nos estudos - enfim, na vida real.

Penso cada vez mais que as pessoas que mais se interessam pelo que escrevo aqui talvez sejam um tanto quanto contra a corrente e não baseiem a maioria de suas vidas na internet, como tantos fazem hoje em dia (me corrijam se eu estiver errada). Eu mesma, sinceramente, me sinto um tanto deslocada neste mundo de rapidez, competitividade e resultados que estamos inseridos... afinal, 12 visualizações dos meus post não é pouco para mim! Significa que o que estou compartilhando aqui de alguma maneira faz sentido para vários!

Que esse fórum seja uma ferramenta de apoio para coisas legais que possamos fazer, juntos ou não.

domingo, 14 de outubro de 2012

Lasanha de abobrinha da Juju

Essa é uma de minhas especialidades, que fui aprimorando e hoje considero que é uma das minhas receitas mais gostosas! Dedico aos meus queridos primos Ricardo e Vivian.

Ingredientes:

Molho:
  • 2 colheres (sopa) de azeite
  • 800g de tomates maduros picados rusticamente
  • 1 cebola grande picada
  • 1 colher (sopa) de alcaparras
  • 1 vidro (300ml) de leite de coco
  • 300g de champignon fatiado (em conserva ou fresco)
  • 1 colher (sobremesa) de manteiga
  • 1 pimenta dedo de moça picada (opcional)
  • 1 colher (sopa) de chimichuri
  • Páprica picante a gosto
"Massa":
  • 3 abobrinhas italianas médias, fatiadas finamente no sentido longitudinal
  • Azeite para grelhar a abobrinha
  • Sal a gosto
  • Pimenta do reino a gosto
Outros:
  • 400g de mussarela fatiada
  • Batata palha para acompanhar


Modo de preparo:

Molho:

Em uma panela média, aqueça o azeite.  Junte as alcaparras e a pimenta dedo de moça (se estiver usando) e refogue por 1 minuto. Se você quiser o sabor dessa pimenta mas não sua picância, não utilize as sementes. Acrescente então a cebola picada, mecha e deixe-a refogar até ficar levemente dourada. Junte então os tomates picados e a páprica. Misture bem e deixe cozinhar com a panela tampada por 5 minutos.

Enquanto isso, derreta a manteiga em uma frigideira e junte o champignon. Mantenha em fogo médio por alguns minutos, mexendo sempre, até que as fatias de champignon fiquem levemente douradas. Se estiver usando o cogumelo fresco - que por sinal é mais saboroso - ele irá soltar água. Deixe então em fogo algo até a água secar. Reserve.

Após os 5 minutos, verifique se os tomates começaram a 'derreter', formando um molho rústico, com ainda alguns pedaços e bastante caldo. Acrescente o chimichuri, misture bem e deixe tampado mais 2 minutos. Se então o molho já estiver formado acrescente o sal, junte o champignon na manteiga, misture por mais 1 minuto e então adicione o leite de coco. Misture mais 1 minuto e prove para testar os temperos. Se necessário coloque um pouco mais de sal, chimichuri e/ou páprica. Desligue o fogo e reserve.

"Massa":

Em uma chapa ou frigideira bem larga coloque um fio de azeite e as fatias de abobrinha que couberem lado-a-lado. Por cima de cada fatia salpique uma pitada de sal e pimenta do reino e mais um fio de azeite. Deixe dourar e vire as fatias. Quando os dois lados estiverem dourados retire as fatias de abobrinha da chapa (ou frigideira), Já colocando-as no recipiente (um pirex ou refratário, de preferência retangular) onde será montada a lasanha de maneira que formem uma camada de abobrinha (como se fosse a massa). Repita a operação até acabar  a abobrinha ou montar a lasanha.

Montagem: 

Deixe o forno pré-aquecendo em temperatura média.

Depois de formar uma camada com a abobrinha, espalhe uma fina camada do molho sobre a "massa". Por cima das duas camadas uma camada de mussarela e por cima da mussarela mais uma camada de abobrinha. Continue intercalando até encher o recipiente, sendo que a última camada deve ser de queijo ou de molho, nunca de abobrinha. Leve ao forno então, mantendo a temperatura média, por cerca de 25 minutos. Sirva com a batata palha por cima ou em um pote a parte.

Rende uma lasanha que alimenta bem 5 pessoas, ainda mais se estiver acompanhada de arroz soltinho, seu melhor complemento além da batata palha.

Bom apetite!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

José, para onde?

"Caminante, no hay camino. El camino se hace, golpe a golpe, verso a verso".
António Machado


Fiz esse vídeo-poesia no final do mês de junho, e várias vezes tentei em vão colocar aqui no blog. Sempre dava algum problema no upload. Muito bem, quase 4 meses depois finalmente está aqui: Caminhos e andares. Uma reflexão poética que fiz sobre os nossos passos. Talvez o fato de ter conseguido fazer o upload agora tenha algum significado... ou não. Quem sabe?

Compartilho então com vocês e prefiro falar pouco a respeito para que cada um tire suas impressões e sensações desta poesia audiovisual. Afinal, poesia não é para ser explicada; cada um tira dela o que lhe reflete.

Adoraria ler impressões, ou mesmo responder a perguntas.

Espero que gostem.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Um gesto vale mais que mil palavras

Nesta última semana dei para uma de minhas turmas aulas especiais sobre mudrás. Fazia algum tempo que eu não dava enfoque neste anga e foi tão gostoso passar esse conhecimento e me ater por mais tempo aos gestos feitos com as mão que acabei por dar a mesma ênfase na minha prática pessoal em casa.

Não ficarei neste texto explicando o básico sobre mudrás, pois existem muitos bons textos pela internet fazendo isso. Dentre eles, recomendo o do Blog da Eveline Baldan que além de uma excelente explicação possui imagens muito boas, o próprio texto da Wikipédia, que coloca a descrição de forma mais histórica e abrangente, e mesmo o do Saindo da Matrix, que traz informações curiosas, apesar das imagens pessoalmente não me agradarem.

Realmente, é no mínimo curioso que algumas pessoas se mostrem tão céticas quando falamos em magnetismo nas mão ou reflexologia, sendo que essas mesmas pessoas aceitam a acupuntura com naturalidade. Ora, a acupuntura se baseia nas conexões entre meridianos energéticos - que no Yôga chamamos de nadís - a partir de pontos onde a energia se concentra - o que no Yôga chamamos de chakras.

Não por acaso, o magnetismo dos mudrás provém exatamente do fato de que em cada palma da mão possuímos cerca de 35 chakras que, conectados de diferentes formas, farão com que a nossa energia circule de formas diferentes e produza efeitos diversos. Simples assim.

Talvez alguém ainda me fale: puro efeito da sugestão, é tudo emocional! Bem, tudo não, mas concordo que as emoções podem emergir de uma vivência de mudrás. Faça o teste com um dos mudrás mais conhecidos e reproduzidos do planeta: una as palmas de suas mão uma a outra e coloque ambas à frente do peito (não precisa pressionar as mão contra o peito!). Feche os olhos e observe:
  1. As sensações físicas, nas mãos e no resto do corpo;
  2. Se você sente algum tipo de emoção específica;
  3. Se você sente alguma vontade específica;
Esse gesto é chamado no Yôga de prônam mudrá, e está presente nas mais diversas culturas, muitas vezes com significados diferentes. Surgiu em tantos lugares do mundo muitas sem que houvesse comunicação estre esses. Porquê será? Como podemos explicar que existam gestos intuitivos ao ser humano, praticamente universais, sem pensar que há algo especial nos toques das mãos (seja no nível simbólico ou energético) que fazem esses gestos existirem?

Para aqueles que ficaram curiosos e gostariam de conhecer alguns mudrás, além das referências que eu citei acima, recomendo os vídeos feitos pelo Marco Carvalho, que mostra de forma bastante didática como fazê-los.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Prátyahára


Em setembro coloquei como anga do mês prátyahára. Alguns que conhecem um pouco mais do Swásthya Yôga podem achar a minha escolha um tanto estranha, já que os angas que compõem a prática do Swásthya não contém prátyahára como anga.

Na verdade prátyahara - isto é: abstração dos sentidos exteriores - está presente em toda a prática e pode estar em todos os outros angas. Prátyáhára, mais do que anga é um modo de vivenciar o Yôga e a si mesmo.

Enquanto os yamas e niyamas são a fundamentação ética, o prátyahára é uma ferramenta de aprimoramento, que hoje em dia pode ser também vista como uma forma de nos defendermos da constante poluição e excesso a que somos submetidos o tempo todo.

Para finalizar essa breve reflexão sobre o porque abstrair os sentidos exteriores, lembro de algo que falo muitas vezes para meus alunos no início da prática, quando estes estão em shiva mudrá, começando a se aquietar: o mundo lá fora continuará a girar freneticamente. Ruídos, cheiros, luzes e vento continuarão a existir e se intrometer na sua concentração - se você assim o deixar. Cabe a você parar o Mundo externo para assim poder enfim mergulhar totalmente no seu Universo interno.

"O mais denso eclipsa o mais sutil" 
De Rose

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Bolo de aveia e chocolate coberto com chutney de côco

Esse bolo está no livro Gourmet Vegetariano, de Rosângela de Castro. Fiz algumas mudanças sutis na receita e inventei o chutney, pois achei o bolo um pouco seco para o meu gosto. Ficou perfeito! Com as mudanças que fiz é só você substituir a manteiga por óleo para virar um bolo vegano.

Ingredientes:

Bolo
  • 1 1/2 xícara de leite de côco 
  • 1/2 xícara de manteiga
  • 1 1/2 xícara de açúcar demerara (na receita original está cristal ou mascavo)
  • 2 colheres (sopa) de cacau em pó (tipo o do padre)
  • 2 colheres (chá) de canela em pó
  • 2 colheres (chá) de fermento em pó
  • 1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
  • 2 xícaras de aveia prensada ou flocos grossos
  • 2 xícaras de farinha de trigo comum
Chutney
  • 1 colher (sopa) de mel
  • 2 colheres (sopa) de açúcar
  • 1/2 xícara de leite de côco
  • 400g de côco fresco ralado
  • 1 pedaço médio de gengibre fresco ralado
  • cravo da índia a gosto

Modo de preparo:

Bolo
  1. Unte e enfarinhe uma forma de tamanho médio.
  2. Dissolva a manteiga no leite de côco amornado. Coloque a mistura em uma vasilha grande.
  3. Junte o açúcar, o chocolate, a canela, o fermento e o bicarbonato. Misture bem.
  4.  Acrescente a aveia e a farinha e bata até a massa se tornar homogênea e levemente aerada. Se não tiver batedeira, ajuda bastante se você tiver um fouet (eu bati com ele).
  5. Despeje a massa na forma e leve ao forno em temperatura média por aproximadamente 50 minutos. Faça o teste do palito para se certificar se está assado.
Chutney
  1. Faça o chutney quando o bolo estiver esfriando.
  2. Em uma panela derreta o açúcar com os cravos em fogo médio até formar uma calda. Acrescente o mel e misture.
  3. Junte o gengibre fresco ralado (a quantidade vai depender do quão ardido você quer o chutney) e mexa bem, deixando-o soltar água.
  4. Junte o côco fresco ralado, mexa por mais um minuto.
  5. Adicione o leite de côco, misturando por mais dois minutos em fogo baixo. Desligue então o fogo.
  6. Desenforme o bolo já frio ou morno  e espalhe o chutney ainda quente. Assim a calda penetra mais na massa.
Rende um bolo médio, ótimo para comer com café ou até de sobremesa, junto com sorvete.

Bom apetite!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Ética que transcende as culturas

Ontem meu namorado comentou que havia acompanhado uma conhecida quando esta ia a um ashram na zona sul de São Paulo. Estava acontecendo uma palestra com um guru vindo da Índia e ele, curioso, resolveu ficar para assistir. Me contou que, apesar de o ambiente ser bastante místico, com uma abordagem à filosofia bem diversa daquela dada no Swásthya Yôga, ele achou muito interessante o que aquele guru importado falava e me contou algumas coisas. O tema era precisamente yamas e niyamas e muito do que foi conversado é bastante semelhante a posts colocados aqui.

Eu não estava lá, mas refleti bastante sobre o que meu namorado contou e resolvi escrever aqui. Existem valores éticos que transcendem contexto, época e grupos sociais. Valores universais, que farão sentido e ecoarão em qualquer ser humano, independente da etnia, crença ou criação familiar. Estão explicitados por Patáñjali no Yôga Sútra, mas também estão na Torá, na Bíblia e em muitos outros documentos de conduta de sociedades. Não a toa, em sua maioria se repetem, com poucas mudanças: entre os yamas e os 10 mandamentos não roubar é praticamente igual, não matar se transforma em não-violência, não-possessividade em 'não cobiçarás a mulher do próximo'. É interessante ver as semelhanças e analisar as diferenças, onde, aí sim, penso que reside a marca de cada cultura.

Hoje li no Facebook a história de uma moça que transformou o dia do aniversário de um menino de rua comprando-lhe um bolo e dando-lhe parabéns. Para além de tábulas de lei ou códigos de ética: ações como essa ressoam no coração de qualquer Ser Humano como algo bom, lindo, edificante.

Não é, assim, necessário se ler e estudar ética para que esta possa ser praticada. Ela é inerente a cada um de nós. Uma escolha e uma postura perante a vida.