quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A grande violência


Para finalizar esse mês e com ele nossa reflexão sobre ahímsá (por hora) não posso deixar de falar sobre o consumo de carnes. A maioria das pessoas não para pra pensar no assunto, ou procura defesas mentais como "estamos no topo da cadeia alimentar", ou "faz parte da natureza humana se alimentar de outros animais".


Me desculpe, mas devo responder: NÃO ME VENHA COM CHORUMELAS! Hoje está mais do que comprovado que o ser humano não precisa de carne, vive melhor sem ela (tem muito menos chance de desenvolver câncer, por exemplo), e que realmente está praticando uma violência gigantesca em muitos níveis:
  • Para com aquele animal, que geralmente teve não somente sua morte, mas sua vida pautada por sofrimento;
  • Para com o meio ambiente, já que está mais do que divulgado a quantidade de gases de efeito estufa emitidos por gado, fora o desequilíbrio absurdo gerado pela criação de pastos no lugar de florestas;
  • Para consigo mesmo, já que o corpo humano funciona melhor sem carnes. Eu e mais um sem número de vegetarianos podemos dar nossos depoimentos.

Assisti ontem uma excelente aula com o DeRose (que você pode ver no site do Método DeRose) sobre o tema, e fiquei um tanto revoltada com o discurso de muitos a respeito. É claro que se você sentir a privação destes alimentos como uma auto-agressão também não adianta, mas com certeza dá para no mínimo ter um consumo mais consciente.


E para aqueles que ainda argumentam que isso tudo é uma 'modinha', seguem algumas frases de vegetarianos que influenciaram o mundo em diferentes épocas:


domingo, 28 de agosto de 2011

Kama Shuddhi

A imensa maioria das pessoas se deixa controlar pelo emocional. Todos nós já passamos por momentos em que "perdemos a cabeça", isto é, paramos de agir racionalmente. Eu diria inclusive que esse papo do Homem ser um animal consciente e racional é bem... discutível. Pessoas matam por causa do que estão sentindo. Mentem. Xingam. Mas por que isso acontece?

No âmbito do Yôga se trabalha a limpeza profunda do corpo, inclusive do emocional - que chamamos de Kama Shuddhi. Sentimentos como ódio, inveja, tristeza e ciúme geram toxinas endógenas que conspurcam todos os nossos canais energéticos, literalmente envenenando o corpo de dentro pra fora. Existem muitas técnicas que ajudam nesse processo de limpeza e pretendo falar sobre isso no mês em que abordarei o niyama sauchan (limpeza), mas a questão é: não é melhor evitar sujar?

Um curso que me ajudou muito a entender o mecanismo emocional humano foi sobre esse tema com o querido e fantástico professor Luís Lopes. Com ele aprendi que na raíz de todos os sentimentos pesados está o medo, que nos oprime. Medo de não ser aceito, medo de não ser amado, medo de ficar sozinho, medo de morrer. Se você parar para pensar em pessoas e/ou situações que fazem/fizeram você perder a têmpera, se analisar fundo irá encontrar na base de tudo um enorme medo.

Combatemos isso com sentimentos opostos: amor, segurança, auto-confiança. Sugiro para quem quiser um exercício que faço e que dá muito certo: escolha uma pessoa com quem você teve um atrito grande ou uma situação que não ficou resolvida e gerou algum dos sentimentos citados. Feche os olhos, pense na pessoa/situação e, honestamente, do fundo do seu coração, perdoe. Envie um sentimento bom para quem esteve envolvido - se você pratica faça um pújá para a pessoa. Mas isso tem que ser verdadeiro para surtir efeito. Se for muito difícil, repita durante alguns dias... depois me conte se quiser.

Perdoar é uma das melhores coisas que podemos fazer por nós mesmos. Recomendo!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Cenouras em redução de balsâmico

Ingredientes:
  •  1 maço de cenoura (mais ou menos 1kg) limpa e cortada em 4 no sentido longitudinal (se for muito grande corte os talos na metade)
  • 1 colher (sopa) de manteiga
  • 1 punhado de cominho em grão
  • 150ml de aceto balsâmico
  • 50ml de água (ou mais, se necessário)
  • Tomilho fresco (se não houver, substitua por alecrim)
Preparo:

Essa receita pode ser feita de algumas formas, dependendo do tempo que você tiver disponível: quanto mais tempo, mais saboroso ficará. A opção mais gostosa e demorada é no forno, com todos os ingredientes em forma grande, fogo baixo e papel alumínio cobrindo. Demorará por volta de 1 hora - olhe de tempos em tempos para ver se o balsâmico secou e se necessário acrescente um pouco mais d'água.

Se você não dispõe deste tempo, mas tem uns 30 minutos, faça em uma boa panela: derreta a manteiga, acrescente os grãos de cominho e deixe-os fritarem até soltarem seu aroma e sabor. Junte então a cenoura - a orgânica é mais doce e menor, eu indico. Misture bem, deixando a manteiga penetrar na cenoura. Acrescente o aceto balsâmico, a água e deixe cozinhar com a panela tampada, em fogo baixo, até se formar um caldo mais espesso e a água secar. Veja se a cenoura está macia, se não estiver acrescente mais água. Acrescente então o tomilho picado (ou alecrim) e misture bem. Está pronto para servir!

A terceira opção - mais rápida ainda mas um pouco menos saborosa, é fazer na panela mas acrescentar a cenoura já previamente cozida. Fica pronto em 15-20 minutos.

Rende bastante, pode ser consumida como entrada ou acompanhamento. Qualquer dúvida façam um comentário que esclarecerei.

Bom apetite!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Vásana - somos seres condicionados

Acabo de retornar do DeRose Festival de São Paulo, onde pude compartilhar de vivências e muita convivência com pessoas maravilhosas. Uma das vivências que tive o privilégio de refazer foi sobre meditação com a querida professora Márcia Cordoni. Em sua explanação sobre nossa consciência e nossa mente pudemos conversar sobre os vasanás e os samskáras, assunto que me lembrou sobre o bate-papo sobre ahimsá deste mês.

Somos condicionados a muitas coisas, inclusive a sermos agressivos desde pequenos. Cada experiência que temos gera consciente ou inconciêntemente uma impressão (samskára) no nosso psiquismo e estas por sua fez compôem maneiras de se comportar, hábitos, condicionamentos... vásanas. Lembro quando pela primeira vez fui apresentada a estes conceitos e como fiquei revoltada ao tomar consciência de que não podemos não ser condicionados. É impossível (a não ser no caso do nirbíja samádhi) eliminar estes registros, então o quão mais conscientes formos deles melhor podemos viver nossa vida e nos relacionarmos com outras pessoas. Podemos gerar condicionamentos novos de maneira consciente - bons hábitos, mecanismos de proteção e defesa saudáveis - fazendo assim os antigos perderem força.

Sobre ahimsá, isso funciona totalmente: mude a chave ao pegar trânsito e pare de ser rude... muitos pais fazem isso na frente de seus filhos e estes acabam reprouzindo de forma automática. Se você for um deles, pense na hora, não aja inconscientemente... a mesma coisa em qualquer situação onde somos agressivos. Pense bem: na realidade não é NUNCA nessessário, mas simplismente a maioria não sabe como se relacionar em outro registro... somos agressivos por termos medo, por insegurança.

Desfaça esse nó dentro de você!

Para quem se interessou e quer mais aprofundamento, indico o curso sobre o assunto ministrado pelo professor Jóris Marengo.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Nascemos prontos ou somos formados pelo meio?

Conversando com dois alunos muito queridos psicólogos sobre o yama do mês, surgiu uma interessante reflexão que eu gostaria de compartilhar: até que ponto a violência faz parte da natureza humana?

Se quisermos concordar com Rousseau, admitiremos que o homem nasce essencialmente bom e a sociedade o corrompe. Em uma visão mais inatista se dirá exatamente o contrário: as características de uma pessoa já estão presentes em sua essência de maneira latente, istó é, já nascemos com uma personalidade definida. Visões bem radicais e opostas.

Estou agora estudando Vygotsky, que nos dá uma resposta interessante à questão: para ele o homem é um ser social, sendo as características inatas existentes, mas de força reduzida em relação ao fruto das interações com a sociedade. Achei essa perspectiva bem interessante, mas ainda indago: violência está na parte inata ou é fruto das relações? Tendo a ver mais sentido na segunda hipótese, mas gostaria muito de dialogar com vocês.

Essa resposta afeta diretamente a proposta de ahimsa: só é possível trilhar um caminho real de não-agressão se esta não fizer parte da nossa essência.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Pránáyáma: ferramenta poderosa para se gerenciar o emocional

Aproveitando a frutífera discussão sobre o yama do mês, e pensando em como podemos melhorar nossas relações humanas e ao mesmo tempo não gerarmos uma auto-violência, trago uma sugestão para aqueles que "perdem a cabeça" no cotidiano e acabam deixando emoções como ódio, ansiedade e medo tomarem conta. Respire. Só isso? Bem, é relativo...

Muitas vezes deixamos essa função involuntária do corpo de lado, e como resultado temos um descontrole que acaba resultando para muitos em falta de ar. Falta de ar? Com toda a atmosfera sobre nossas cabeças, se pararmos para pensar é bastante estranho que se possa ter tal sensação. O que acontece é que a maneira como respiramos está intimamente ligada ao nosso estado emocional. Já reparou como a respiração da mocinha no filme de terror é arfante, curta, com o tórax subindo e descendo rapidamente? Ela está com medo... entendemos tal referência das telas intuitivamente.

Agora, que tal invertermos o processo? Ao invés de deixar nosso estado ditar como respiramos, e se transmutássemos nosso emocional através da respiração? Faça o simples teste no seu dia-a-dia: em situações potencialmente estressantes e desestabilizantes procure parar e respirar bem fundo, mais lentamente, soltando o ar aos poucos. Para quem já pratica Yôga isso muitas vezes é automático e simples, sendo acrescentados ritmos, mentalizações e etc. Mas mesmo quem não conhece os pránáyámas pode perceber os efeitos de uma respiração consciente e oxigenante sobre o emocional.

Hoje em dia utilizo essa técnica todo o tempo, auxiliando uma desintoxicação emocional e gerando as sensações que eu desejo... tranquilidade no trânsito de São Paulo, confiança para encontrar alguém intimidante, alegria a qualquer momento... esse é o efeito dos pránáyámas!

domingo, 14 de agosto de 2011

Arroz com passas, brócolis e tomate cereja


Ingredientes:
  • 2 xícaras de arroz (pode ser branco, cateto com vermelho ou 7grãos)
  • um punhado de uvas passas escuras
  • 300g de brócolis ninja lavados e cortados em pequenos buquês
  • 3 ou 4 dentes de alho amassados
  • 15 tomates cerejas cortados ao meio
  • azeite extra-virgem
  • sal
  • pimenta do reino
  • salsinha fresca picada ou alecrim para finalizar.
Modo de preparo:

Cozinhe o arroz com as uvas passas e já com um pouco de sal. Gosto muito dessa receita com o arroz 7 grãos. Siga as instruções de tempo para o tipo de arroz que tiver escolhido. Em outra panela, ou uma frigideira funda ou uma wok, aqueça 3 colheres (sopa) de azeite em fogo baixo, junte o alho e deixe dourar por uns 2 minutos. Acrescente os buquês de brócolis, o sal e a pimenta. Aumente o fogo, adicione 100ml d'água e deixe a panela tampada por 3 minutos ou até a água secar. Misture bem, acrescente mais um fio de azeite e os tomatinhos cortados. Mexa bem por mais 3 a cinco minutos e desligue o fogo. Junte o arroz cozido, misturando delicadamente. Salpique a salsinha ou o alecrim. A salsinha dará um gosto mais brasileiro, o alecrim, masi mediterrâneo ao prato. Quanto mais fresca a erva melhor.
Sirva acompanhando uma torta, quiche, purê de abóbora ou mesmo um grão como o Chana dahl.

Dica: Você pode substituir o alho por alho poró para um paladar mais delicado.

Bom apetite!